terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Clube dos estetas mortos




José Maria entrou apressado, o lenço de desembaciar frenético em cuidadosa limpeza do monóculo. Era Lisboa e não chovia, uma nota rara nas últimas semanas do final de Outono. Um ferro, meninas, um ferro!, atirou enquanto, com o olhar míope, logo composto pela adição da lente, circulava a cozinha. Um trânsito infernal, parece que tout Lisbonne convergiu para o Chiado, continuou. Deixei o taxista a falar sózinho junto à minha estátua e aventurei-me rua do Alecrim acima com este saco pesadíssimo de material. Onde pára um novo Rosa Araújo para nos rasgar boulevards em larguras dignas? Quando era novo ainda os americanos tinham as costas largas por impedirem as corridas às caleches, agora...

Interrompeu-se no acto de levantar uma tampa. O vapor atingiu-o em cheio, enfoscando-lhe o entontecido monóculo. Ahhh!..., meu querido Jacinto se aqui estivesses! Isto não é uma canja, meninas, isto é... isto é... perdia-se enquanto aspirava guloso, isto é o quê? É o meu estômago a pedir uma malga! A exigir uma malga, uma tijela, um prato fundo que eu não vou esperar pelos convivas! A minha correspondência por duas conchas desta criação!



Enquanto as meninas apressadas - embevecidas, ternurentas, cativadas desde há muito pelo menino - corriam atrapalhando-se mutuamente à procura da malga, da tijela, da concha, da colher, perdia-se já este no destapar do restante trem colocado em fervuras várias sobre o fogão. O que é isto? Favas? Ai Jesus que me estragam com mimos! E à algarvia, onde nunca fui mas de onde me surgiram ecos infindos quando em Évora tirocinava como jornalista. A D. Maria José, a quem me apresentou o Fradique, já lá vão tantos Verões, fazia umas favas sem rival, aprendidas nessa lonjura henriquina...



E isto - mais favas? A minha Tormes que a não visito há meses... Trago umas garrafas da colheita do ano passado, ficou de estalo, pena não se poder fazer mais, ah, a Europa, essa senhora que nos embevece e atraiçoa, porque havemos de nos deixar limitar na produção vinícola... Quedou-se mudo, pela primeira vez, ele e o pensativo monóculo numa evocação interior comum. José Maria sentado no alpendre a ver as fileiras de vinha, o azul estival de Tormes, os cantos longínquos de pássaros e gentes, naquele momento o seu mundo deixara de ser a língua portuguesa para se aninhar entre as graníticas paredes desse refúgio minhoto que emprestara a Jacinto para os primeiros anos de Portugal.



Pareceu acordar. Então não se faz nada nesta cozinha, cresceu, esbracejando para as meninas que, paradas, lhe respeitavam o momento de reflexão. Talvez se o Zézinho começasse a laborar, atirou-lhe Alexia, matreira, a preparar a travessa do bacalhau para o forno,


onde está esse celebrado maçarico que tanto nos cantou, a última maravilha dos Campos Elíseos, o nec plus ultra dos enrubescedores de leite creme?

José Maria franziu o sobrolho. Não gostava das palavras inventadas por outrém. Tirou o maçarico de cozinha do saco depositado no centro do aposento. Logo lhe passou o amuo quando lhe puseram à frente um robusto prato de amarelo creme. O açúcar! Venham de lá esses grãos! Ah abade que o teu pudim é nada perante este brilho!


Cinco minutos e várias queimadelas depois já o solicitava Cristiana. E o sifão, trouxe o menino o sifão para aquela coisa maravilhosa com que costumamos brindar?

Saiu o sifão do saco. Que acolheu um xarope feito com 6 colheres de açúcar e três claras e meia garrafa de... Alexia, linda, o que é que a menina cá tem para pormos hoje no sifão? ... cachaça (cachaça? desde quando José Maria oficiou pelos Brasis? afinal estes são os domínios de Tormes ou de Prazins?) e o sumo de dois limões e mais uma carga que tudo transformou numa espumosa e elevamente tóxica caipirinha que não chegou à hora do jantar e da qual o único registo que sobrou foram os alinhavados limões.


Enquanto a espuma caipira animava todos os oficiantes na cozinha, um espiritual cheiro dimanava do forno, onde lombo e batatas tostavam em comunhão. Que belo local para todos os conselheiros deste país, pensou José Maria, bem quentinhos e apertadinhos, sem espaço para apartes e conselhos e consultorias, a dádiva resumida ao perfumado aroma da sua carne a tostar... Estremeceu. O humor da velha Albion ainda te não deixou, tantos anos depois de Bristol, talvez não lhes ficasse mal uma reduçãozinha... Casquinou.


E eis que chegavam os primeiros convivas.



Cristiana aproveitou a diversão para desembalar o seu bolo de farinha integral e sementes de sésamo e escapulir-se para a sala, escapando à inevitável inquirição do monóculo (fat free, meat free, life free? pour moi?)



Ao passar no corredor, José Maria apaixonou-se. Uma bela rosa erigia-se em altar à dona da casa, trazida por uma das visitas. Por momentos confundiu naturezas e pensou-se àquela beira-rio, cortejando. Por um breve instante a sua mão aproximou-se da flor, numa decidida tentação de a colocar à lapela. Sempre um dandy...



Os ovos! Os ovos com chouriço que tantas noites nos aconchegaram em Coimbra! Todos à volta da mesa, já, e que nos faltavam os ovos! Alexis, onde o chouriço - que é isto??? Chouriço, meu príncipe das letras, meu conde do Douro vinhateiro, meu imperador gastronómico... chouriço já passado pela máquina de moer, pronto para a fusão com os tétés...

José Maria suspirou. Se Jacinto, estóico, ultrapassou a primeira noite em Tormes, também os meus ovos brilharão em tão estranha companhia... Valha-me a divina mão que colocou advertida, uma morcela no saco!

Minutos depois, fumegantes travessas invadiam a sala, olorando-a do celestial perfume.



Ovos com chouriço, a comida de lupanar que tão bom nome deu a tão desnomeadas damas! Cruginhas! À falta de um fado que seria de tom menor, não nos quer a menina tocar como introdução os primeiros acordes da sonata pateta? Vá lá, não faça essa cara nem se faça de diva...

Debalde. A Cruginhas, amuada, remetera-se às iguarias expostas sobre a mesa.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Momo no Casino de Lisboa

Foi inaugurado muito recentemente o novo restaurante do Casino de Lisboa, Momo de seu crisma. Investimento do grupo Lágrimas que foi buscar aquele que eu continuo a considerar - até prova em contrário - o melhor sushiman português, Paulo Morais, para a direcção criativa e chefia da cozinha.

O conceito de "cozinha pan-asiática" que aqui funciona como leit-motiv é o utilizado pelo Chef no seu restaurante Umai (onde foi estreado como Asian twist), marcando-o indelevelmente, apesar das maravilhas de inspiração japonesa que continua a oferecer.

Tivemos uma primeira experiência poucos dias depois da abertura, num warm up mútuo de reconhecimento (do espaço, dos pratos, dos modos de acompanhar os clientes, os seus gostos, os seus desejos). O que dizer?

Que, transplantado para um outro espaço, mais ambicioso e com outros meios, o conceito se mantém interessante, reforçado na qualidade com a mão do Estoril Mandarim (o restaurante do casino-irmão) nos pratos de culinária chinesa.



Serviço de mesa atencioso, decoração bem conseguida, em bicromia negro-vermelho, a resolver bem a dificuldade de uma arquitectura em curva (prefiro ter a percepção de toda a sala mas os espaços são o que podem ser...).



Menus "rápidos" (Japão, Tailândia, Índia, Vietname, Pan Asia), inspirados nas principais cozinhas asiáticas, pensados para os clientes que buscam uma refeição rápida antes do espectáculo no auditório do casino.

Menu Índia:
Vieiras em espuma de caril, salada de arroz tufado com ervas aromáticas, pão naan com chutney, kofta de borrego

E uma de carta de pratos não necessariamente tão rápidos com, como sempre, bonitas composições.


Crepes e Momos
Makimono Moriawase:
em escolha do Chef, hosomaki, uramaki e dragão maki

A cesta onde, a vapor, cozeram os dim sums
Tenho muito mais a dizer? Não. Prefiro aguardar e ver se a equipa - aliás as duas equipas, Umai e Momo - se adaptam à presença intermitente do Chef, mantendo a sua qualidade de execução. Torcendo para que o efeito "Nobre" não ataque mais uma vez... Detestaria perder um dos meus locais de eleição por causa de outro que ainda não o começou a ser.

Cá voltarei e sobre isso conversaremos depois.

Momo, Restaurante Pan-Asiático
Casino Lisboa
Terça a Sábado
19h30 à 1h00
Encerrado aos Domingos e Segundas

T (+351) 917 959 707

sábado, 10 de dezembro de 2011

Bourdain.et

"Comi um sanduiche com um bife gordurento de porco, cozinhado num óleo sujo e servido em pão português, com mostarda (bifana). Deus, era tão bom!" (1)

Para manter o carácter internacional do post, digo-o em estrangeiro: I have mixed feelings por tudo o que é moda, unanimidade ou bruá colectivo. Acho piada ao Bourdain, a sério que acho. A tietagem é que põe o meu lado do contra em hiperactividade. Pior que a tietagem, só mesmo a pretensa exclusividade de quem lhe apadrinhou a vinda à cidade, num jogo de toca e foge cristalino e assim para o indecente. Rules of the business, como o homem disse, eu sei, que o dito até é uma personagem simpática na sua cabotinice, irreverência ou cuidadosamente preparada imagem de bad boy.

Whatever. Disse bem das bifanas, o que é sempre um factor de apreciação, ainda que o statement tenha sido largamente hiperbolizado no factor Kitchen Confidential: o óleo não é sujo (a fervura mata toda a sujidade) - está apenas repleto de coisas boas que lhe dão o sabor que tanto o cativou...

Assim sendo, tudo somado, rendo-me e eis-me, mais um, a publicar um post sobre... bifanas.


(1) - Anthony Bourdain em declarações exclusivas ao Expresso, publicadas ontem, já ele estava, sem reserva, a gravar noutro lugar reservado em algum lugar deste mundo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Melow-gelo at Alexis

Devo dizer que nunca gostei de gelatina em versão salgada. Aquela coisa a topear os meus deliciosos patés - blhec! Os aspics, apareciam-me à vista com tantos picos como o nome, produtos desgostantes de um afrancesado inventor culinário manufacturados com o único objectivo de me estragar o prazer de uma bela refeição. Natureza morta, aprisionada num treme-treme opressor. Fantasmas gelificados.

E a Alex, em marcha-atrás reforçada da molecular experimentação - que dias de semana com os convivas a chegar não são dias para descobrir novas alquimias - a aventar logo um jantar gelô-gelô!

Primeira dúvida, herança dos tempos loucos das vacas: gelatina animal ou o mais trendy, disease-possibility-free agar-agar? O último nos pratos locais, ignorada a opção nos restantes e é melhor ficar assim que discussões sobre vantagens e desvantagens não ficam bem num dia de festa.

Depois, um avantajar de delícias sobre a mesa e o estado de sítio - como é costume quando este cavaleiro investe de rocinante em punho, e sancho pança a tiracolo (um pouco desnorteado, como se vê) - na cozinha. Fotos algumas que depois sobreveio a gulodice e a máquina lá ficou sobre o aparador, espectadora sem capacidade de memória...


Perante a beleza dos exemplares trazidos pela Maria José - tenras e opíparas cenouras-bébé, desconhecidas mas tão agradáveis ocas - tive de me render à inenarrável aspic. Ficaram bonitas mas tão necessitadas de mais aprofundamento...



FMI: gelatina de camarão...

Gelatina de café
Uma bavaroise de ananás fantástica
Este ananás fez um pandan incrível com os bolinhos de frango abaixo...

Quinoa! De gelatina nada, de fantástico tudo!
Para emparelhar com as ocas



Mais uma fuga ao tema que aproveitou e muito bem os óptimos cogumelos da primeira foto

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bagas de Goji


Há quinhentos anos deveria ser corriqueiro o aparecimento de novidades nas bancas da Rua Nova dos Mercadores. Lisboa, para os seus habitantes, pareceria - era? - o centro do mundo, para onde convergiam a velha Índia e as novas Índias, as exóticas e desejadas especiarias e as ainda não desejadas - porque desconhecidas - descobertas dos Brasis.

Um corrupio de gentes, um entusiasmo no ar, já cheio de carregados aromas, uns a evitar, outros a descobrir. Oportunidades, riqueza, poder. Lisboa era mesmo o centro do mundo.

"O Inferno", de Cristóvão de Figueiredo ou autor desconhecido, conforme os gostos, Museu Nacional de Arte Antiga
Notem-se as características do diabo que preside
Esses ecos chegam-nos apenas por um exercício da razão, já que a memória dos apagados séculos mais recentes nos acabrunhou numa espécie de cul-de-sac da Europa. A Lisboa de até há pouco, era uma cidade a preto-e-branco, resignada na sua falta de criatividade, subjugada ao um-dois-três da salsa-coentro-hortelã, da pera-maçã-laranja, da batata-massa-arroz.

E depois, como se finalmente fosse o tempo de tudo se voltar a conjugar, tudo voltar a confluir, os deuses da vontade dos consumidores ou os deuses do comércio internacional pareceram ter decidido que já era tempo de retornarmos à aventura da descoberta.

Recomeçaram a chegar novos produtos, ervas tanto tempo desejadas a partir das fotografias de livros e revistas de outras paragens, especiarias das rotas de Samarcanda, tropicálias em fruto.

Reencontros e descobertas.

Um destes dias, na montra de uma das mais tradicionais lojas da Baixa, estas bagas de GOJI. O que são, como se degustam?

Parecem consubstanciar um daqueles sete-em-um milagres new age: ricas em antioxidantes, têm fama de virtudes de anti-envelhecimento, afrodisíacas, de benefícios contra doenças cardiovasculares e inflamatórias, problemas de visão, dos sistemas neurológico e imunitário, de melhoria dos níveis de insulina e de redução dos níveis de colesterol, de ajuda no processo digestivo e na perda de peso, na prevenção de gripes e constipações. Si non è vero...

Degustam-se a solo, as they are, em misturas com outras frutas secas e/ou frescas, em batidos, mueslis, chás. Também podem ser demolhadas e rehidratadas em água, para obter uma consistência próxima da original, aproveitando-se a água para qualquer preparação culinária.

Devem-se guardar em local fresco e seco, em pacote ou frasco bem fechado.

E eis algumas sugestões:

Compota de gojis e amoras silvestres


Ingredientes:
200g bagas goji
200g de amoras silvestres
500g de açúcar amarelo
1 pau de canela


Preparação:
Demolhe as gojis num pouco de água durante cerca de 30 minutos.
Lave bem as amoras.
Leve ao lume as amoras e as bagas escorridas, juntamente com o açúcar e o pau de canela. Deixe ferver até ganhar consistência. Depois, retire o pau de canela e desfaça a fruta com a varinha mágica. Guarde em frascos.
Sugestão: Pode substituir as amoras silvestres por framboesas ou outras bagas.


Batido de gojis e banana

Ingredientes (para 2 pessoas):
4 colheres de sopa de bagas goji
1 banana
1 colher de sopa de coco ralado
1 colher de chá de maca peruana
água filtrada q.b

Preparação:
Misture a banana às rodelas com os restantes ingredientes num liquidificador. Bata bem até obter uma mistura homogénea. Misture água até obter a consistência que lhe agrade. Sirva fresco.


Compota de gojis e tomate

Ingredientes:
200g bagas goji
1kg tomate maduro
600g de açúcar amarelo
1 pau de canela
1 casca de limão

Preparação:
Demolhe as gojis num pouco de água durante cerca de 30 minutos.
Descasque o tomate e corte-o em pedaços pequenos. Deixe-o escorrer, juntamente com as gojis durante 1h, para retirar o excesso de água.
Leve ao lume o tomate e as bagas escorridas, juntamente com o açúcar, a casca de limão e o pau de canela. Deixe ferver até ganhar consistência. No final, retire o pau de canela e a casca de limão. Guarde em frascos.
Sugestão: Se preferir, no final desfaça o tomate e as gojis com a ajuda da varinha mágica.
Aproveite a água que escorreu do tomate e das gojis para cozer arroz ou para outra preparação culinária.


Pudim de gojis

Ingredientes:
1 l leite de soja
100g de bagas goji
3 colheres de açúcar amarelo
sumo de ½ limão
3 colheres de sopa de algas agar-agar
2 colheres de sopa de maisena

Preparação:
Coloque as bagas de molho, cerca de 2h, em algum leite de soja. Leve o leite, as bagas, o sumo de limão e o açúcar ao liquidificador e misture bem. Leve a ferver e junte a agar-agar e a maisena dissolvida num pouco de leite. Mexa bem e desligue. Coloque numa taça e leve ao frio até solidificar.
Se preferir pode ainda barrar a forma do pudim com caramelo.

(Fonte: http://www.bagasgoji.com)


Gelatina de gojis

Ingredientes (para 6 taças):
85g de bagas goji
3 colheres de sopa de açúcar amarelo
1 l de água
2 colheres de sopa de aga-agar


Queques de goji

Ingredientes (para cerca de 10 unidades):
200g de açúcar amarelo
100g de farinha de trigo
50g de farinha de centeio integral
3 colheres de sopa de maisena diluída em 6 colheres de sopa de água
1 colher de chá de fermento
sumo de 1 laranja e meia
3 colheres de sopa de bagas goji demolhadas
azeite q.b.


Chá antioxidante de bagas goji

Ingredientes:
200ml de água filtrada
1 colher de folhas de chá pu-ehr simples (chá vermelho)
2 colheres de chá de bagas goji secas


Compota de gojis e tomate

Ingredientes:
1kg tomate maduro
200g bagas goji
600g de açúcar amarelo
1 pau de canela
1 casca de limão

(Fonte: centrovegetariano.org)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gastroescritas: Gastronomia Siciliana

"(...)Até o beco da Companhia tinha ficado deserto, depois do meio-dia, quando todos retornam a casa ou às tabernas para almoçar, quando o calor do Verão cresce, cresce, e a controra, o período do dia napolitano equivalente à siesta espanhola, começa com os alimentos, com o repouso, com o sono das pessoas cansadas. A costureira, um pouco intimidada pela escuridão da taberna de onde saía um hálito acre de vinho, tinha parado no limiar; e olhava para o chão, antes de entrar, sentindo como um perigo de escotilha aberta, de subterrâneo, da negra boca escancarada. Mas o empregado avançou na sua direção, para a atender.

- Dê-me algo para comer com pão, disse ela, balançando um pouco.
- Peixe frito?
- Não.
- Um pouco de bacalhau com o molho?
- Não, não, disse ela, enojada.
- Uma sopa de tripas?
- Não, não.
- O que é que você quer, então? - perguntou o empregado, um pouco enfadado.
- Queria... queria três soldos de carne, comê-la-ei com pão, Nannina e eu, disse ela com uma graciosa expressão de gula.
- Não cozinhamos carne hoje, é Sábado. Só tripa, para os não crentes, é Sábado...
- Dê-me então o bacalhau, sussurrou, reprimindo um suspiro.

[...]


(Fonte: http://www.ideericette.it)

- Aqui está o bacalhau, disse o empregado, voltando.

Tinha-o colocado numa travessa: quatro grandes pedaços que se desmanchavam num molho avermelhado e fortemente pontilhado de pimenta; o molho, ondulando, deixava traços amarelos de azeite nas bordas da travessa cinza.

- Se ganhasse a lotaria - disse ela enquanto se servia, inclinando delicadamente a travessa - satisfazia a minha vontade de comer carne todos os dias.
- Carne e macarrão, respondeu o empregado.
- Sim: macarrão e carne, gritou triunfalmente a costureira, com os olhos sempre fixos na travessa, para evitar deixar cair o molho (...)
"

[SERAO, Matilde. Il paese di cuccagna. Milano: Fratelli Treves Editori, 1920, p. 2-4; Retirado de "O PRAZER GASTRONÔMICO NO REINO DAS DUAS SICÍLIAS: ENTRE O SAGRADO E O PROFANO NA REPRESENTAÇÃO LITERÁRIA, tese de Doutoramento de Fabiano Dalla Bon]

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Portugal Gastronómico #74 - Matosinhos

(Fonte: Wikipedia)
(Fonte: viajar.clix.pt)

Produtos DOP e IGP:

Nenhum

Bebidas:

Vinhos

Não existe produção

Outras

Não existe produção

Produção concelhia:

Conservas
Pescado e marisco

Produtores / Fabricantes:

Conservas Ramirez, a mais antiga marca portuguesa
Ramirez & Cª (Filhos) S.A.
Rua Óscar da Silva, 1683 - Leça da Palmeira - 4451-953 Matosinhos
Telf. 00 351 22 999 7878 ; e-mail: ramirez@ramirez.pt ; http://www.ramirez.pt/









Conservas Pinhais
A única unidade do sector em Portugal que mantém uma produção artesanal e onde está previsto ser instalado o futuro Museu Vivo da Indústria Conserveira. Vale a pena a visita e a compra dos produtos no local, muito mais baratos do que nas (poucas) lojas gourmet onde se encontram à venda.
Pinhais & C Lda
Avenida Meneres, 7004450 Matosinhos
Telf. 229 380 042 ‎


Pratos típicos característicos do concelho:

Pescado e marisco


Doçaria:

Leite creme

Restaurantes referenciados:

"Matosinhos é um dos maiores clusters europeus de restaurantes por m2, reunindo uma oferta sem paralelo. A sua gastronomia é já considerada um dos principais produtos turísticos do concelho. Em qualquer restaurante o linguado, o goraz, o cherne, o robalo, o tamboril, a pescada, o atum, o espadarte, o polvo, ou o venerável bacalhau, constam das ementas e protagonizam cozinhados criativos e deliciosos.


Contudo, é na grelha que o paladar dos nossos visitantes mais os aprecia, onde se inclui o carapau e a sempre popular sardinha. Os mariscos, requintadamente preparados, simples, grelhados ou na cataplana, são outras referências da restauração matosinhense, há-os para todos os gostos: lagosta, lavagante, camarão da costa, percebes, entre muitas outras espécies. Poderá obter mais informações, através do site: www.omaramesa.com.


Conhecida como a sala de jantar da Área Metropolitana do Porto, conta com mais de 600 restaurantes dispersos por todo o município. A chancela Mar à Mesa “RESTAURANTE 100%” é, de entre os serviços que esta autarquia presta aos seus munícipes, um dos de superior relevância – pois revela ao mercado em geral, a qualidade, o sucesso e sabores da gastronomia de Matosinhos." (Câmara Municipal de Matosinhos;Divisão de Promoção da Economia Local e Turismo)


Al Forno Leça Palmeira Rua Santa Catarina, 249 229387565
A Casinha Perafita Travessa Gandarra, 111 229954224
A Chalandra Matosinhos Avª. Serpa Pinto, 322 229375553
A Cozinha da Maria Leça Palmeira Rua Fresca, 187 229955535
A Recoleta Matosinhos Rua do Sul, 51 229381016
Brasa Douro Leça Palmeira Rua Óscar da Silva, 1109 229957181
Cais 51 Matosinhos Rua Gago Coutinho, 51 229370976
Casa de Chá da Boa Nova Leça Palmeira Boa Nova 229951785
D'Oliva Matosinhos Rua Brito e Cunha, 354 229351005
Don Juan Leça Palmeira Rua Helena Vieira da Silva, 320, lj2 229965047
Fuzelhas Leça Palmeira Avª. Da Liberdade, Praia de Fuzelhas 229952410
Great Matosinhos Estrada Exterior da Circunvalação, 15960 220025274
Lage do Senhor do Padrão Matosinhos Rua herois de França, 516 229384807
Les Amis Leça Palmeira Rua António Carvalho, 230 229965772
Mar na Brasa Matosinhos Avª. Serpa Pinto, 464 R/Ch 229371090
Marisqueira de Matosinhos Matosinhos Rua Roberto Ivens, 717 229381763
Marisqueira Marujo Matosinhos Rua Tomás Ribeiro, 284 229383732
Mauritânia Real Matosinhos Rua Ló Ferreira, 239 229371363
Marizé Perafita Rua Almeiriga norte, 2955 229950301
O Alves Leça Palmeira Avª. Dos Combatentes da Grande Guerra, 124 229954226
O António Perafita Rua Óscar da Silva, 2402 229960741
O Arquinho do Castelo Leça Palmeira Rua de Fuzelhas, 102 229942339
O Bem Arranjadinho Leça Palmeira Travessa do Matinho, 2 229952506
O Casarão do Castelo Leça Palmeira Rua Santa Catarina, 74 229951676
O Chanquinhas Leça Palmeira Rua de santana, 243 229957884
O Fernando Matosinhos Rua Herois de França, 527 229375905
O Gaveto Matosinhos Avª. Serpa Pinto, 761 R/Ch 229378796
O Manel Matosinhos Avª. Serpa Pinto, 424 229350477
O Valentim Matosinhos Rua Herois de França, 263 229388015
O Xarroco Matosinhos Rua Herois de França, 507 229381649
Olhinhos do Polvo Matosinhos Rua Herois de França, 601 220994381
Os Lúsiadas Matosinhos Rua Tomás Ribeiro, 257 229378242
Os Rapazes Leça Palmeira Largo do Castelo, 39 229953380
Pecadosinhos Matosinhos Rua Tomás Ribeiro, 248 229371610
Pedra Alta - Lavra Lavra Rua Custódio Pereira Ramos, 903/1035 229957890
Palato Matosinhos Rua Herois de França, 487 R/Ch
Quarenta e 4 Matosinhos Rua Roberto Ivens, 44 229363706
S. Valentim Matosinhos Rua Herois de França, 335 229379406
Sarrabulho Leça Palmeira Avª Dr. Fernando Aroso, 242 229953671
Segundacasa Matosinhos Avª Serpa Pinto, 124/129 229379627
Tito I Matosinhos Rua Herois de França, 279 229380692
Tito II Matosinhos Rua Herois de França, 321 229381092
Trás D' Orelha Matosinhos Rua Herois de França, 549 229371920
Veleiros Perafita Rua de Almeiriga, 2520 229958531
Viveiros da Mauritânea Leça Palmeira Avª. Dos Combatentes da Grande Guerra, 50/86
Visconde Matosinhos Rua Herois de França, 241 229370751
5 Oceanos Matosinhos Rua Herois de França, 689 229372941


Eventos de teor gastronómico:

Feira do Fumeiro
Penúltimo fim-de-semana anterior ao Carnaval

Mercado da Castanha
Fim-de-semana anterior ao 11 de Novembro)

Fins-de-semana gastronómicos
(datas variam anualmente)

Festa do Mar


De forma a promover e desenvolver a gastronomia, associou-se a cozinha a um programa de animação diversificado, estabelecendo parcerias com os restaurantes das principais artérias das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, dando origem ao projecto "Festa do Mar”.


O evento, que teve a sua estreia no ano de 2006, resulta de uma parceria da Câmara Municipal de Matosinhos e o sector privado da restauração, caracterizando-se pela montagem de esplanadas, devidamente identificadas com o nome da iniciativa "Festa do Mar" e o nome do restaurante aderente. Estas esplanadas, características da iniciativa pelo seu design uniforme, são dotadas de mesas e cadeiras, iluminação e apontamentos de decoração, dando à rua uma imagem consistente e facilmente identificável.


A animação da Festa do Mar, ponto fulcral deste evento, decorre no espaço exterior e interior dos restaurantes aderentes, e é protagonizada por diversos grupos musicais escolhidos criteriosamente para proporcionarem uma animação diversificada, distinta e inclusiva. Procurou-se variar e promover artistas nacionais e em fase de lançamento como é o caso das tunas académicas, grupos de música tradicional portuguesa, trios de jazz, animação circense, entre outros.


Assim, todas as sextas e sábados dos meses de Verão (Julho a Outubro), os comensais podem desfrutar de uma refeição de qualidade, acompanhada de momentos de animação a não perder. Estes grupos, as esplanadas e os pratos típicos, criam um ambiente de festa, tornando a "Festa do Mar" um evento muito procurado e apreciado não só pelas gentes da terra mas também por visitantes nacionais e internacionais. O reflexo mais concreto do crescente sucesso deste evento é o número de visitantes e restaurantes envolvidos, sendo este número cada edição mais elevado, estando actualmente 47 estabelecimentos envolvidos e 293.000 visitantes.(Fonte: http://www.omaramesa.com)


Agradecimentos:
Câmara Municipal de Matosinhos


Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições

EM CONSTRUÇÃO - O post irá sendo actualizado à medida que novas informações sejam obtidas.
Achegas e comentários, bem vindos como sempre