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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PROVE em Lisboa


Bom, parece que finalmente este conceito vai chegar à capital.

Do produtor ao consumidor, sem intermediários, produtos hortofrutícolas comercializados em forma de cabaz com peso (entre 5 e 6 quilos) e preço fixos (10 euros) (no caso lisboeta provenientes de uma exploração agrícola localizada na várzea da Moita (proprietária: Ana Marques) onde são utilizadas exclusivamente técnicas amigas do ambiente (Modo de Produção Integrada)), estarão disponíveis no Mercado de Santa Claratodas as 3ªs feiras entre as 17:30 e as 19:00, após encomenda prévia.

(Fonte: PROVE)

A iniciativa será a mais recente de uma longa série iniciada com sucesso em 2006 nos concelhos de Palmela e Sesimbra e estendida desde então a múltiplos concelhos de Norte a Sul do país. Resulta da associação entre a ADREPES – Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal, entidade coordenadora do projecto PROVE e a Associação “As Idades dos Sabores”, promotora do Centro das Artes Culinárias, situado no Mercado de Santa Clara. 

O PROVE - Promover e Vender tem como objectivo contribuir para o escoamento dos produtos locais, fomentar as relações de proximidade produtores/consumidores e encurtar os circuitos de comercialização. Igualmente interessante - espero a implementação rápida - é a intenção de criação de um conjunto de planos de intervenção nas explorações agrícolas que estimulem novos produtos e serviços, divesificando a actividade e aumentando o rendimento dos agricultores. É naturalmente orientado para os pequenos produtores, tendo vindo a encontrar o apoio de autarquias, organizações de agricultores e diversos parceiros locais. 

(Fonte: PROVE)

38 núcleos, cerca de 100 produtores, 1500 consumidores, 11 toneladas de produtos comercializados semanalmente, são números animadores.

Encomendas para a primeira entrega (7 de Fevereiro) deverão ser efectuadas até ao dia 5 pelo 961 071 190 ou www.prove.com.pt/encomendas. Mais informações: 212 337 930 ; 919 424 733.

Bom sucesso, é o que desejo. Muito!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Umas meninas chamadas Goji

A pedido de uma enormidade de famílias, aqui deixo o resultado das minhas pesquisas.

As bagas Goji estão à venda em todos os hipermercados, secção que, tivessem os gestores de conta imaginação e humor, seria denominada "new age". À falta de toponímia certa, procurem por suplementos vitamínicos ou soja. Se mesmo assim ninguém desse benfasejo lugar vos conseguir direccionar, desistam e vão à loja do Celeiro mais próxima.

Isto se quiserem ser generosos convosco e gastar mais do dobro que as mesmas custam na loja Manuel Tavares ali na Rua da Betesga (que é aquela rua que os antigos usavam para meter o Rossio quando o passo era maior que a encomenda) em Lisboa.


Como se pode ver pela foto (tirada em Novembro passado), 250 gramas custam menos de 3,50 euros, enquanto o mirrado saquinho dos hipers com 125 gramas custa à volta de 3,60. Como dizia o nosso ex Toneca, é fazer as contas...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Finger Limes

A Gilt Taste anuncia hoje no seu site a venda deste fruto ainda pouco conhecido nos EUA. (O que diabo são finger limes - finger food alimada?)

Pela foto,

(Fonte: Gilt Taste)
parecem limas com um formato alongado, com um curioso interior:

(Fonte: Gilt Taste)
São citrinos.

Diz-nos o site que são originárias da Austrália e Nova Zelândia, já existindo produção na Califórnia. E passo a citar: "Variam entre o tamanho de um amendoim e o do nosso dedo mindinho. Dependendo da altura do ano, a casca pode ser verde escura, laranja ou amarelo clara e as pequenas pérolas do seu interior douradas ou rosas, amarelas ou verde claras. São menos amargas que as limas e o seu aroma mais próximo da combava (kaffir lime). Retire as pérolas com uma colher e utilize-as em coktails, polivilhe ostras ou adicione-as em sobremesas à base de citrinos."

Os australianos chamam-lhe o caviar citrino.

O LA Times explica melhor :

"Ao contrário dos alvéolos em forma de lágrima dos citrinos correntes, as vesículas translúcidas, esverdeadas ou rosadas, das "limas-dedo" são arredondadas e firmes, rebentando na boca como o caviar, libertando um sabor que combina limão e lima com notas verdes e herbáceas. O óleo da casca é igualmente aromático, contendo isomentona, comum na hortelã mas rara nos citrinos.

O que fazer com estes prodígios em forma de dedo? Como a restante família, são demasiado amargos para serem comidos simples mas, mesmo assim, da primeira vez que tomar contacto com eles, experimente as suas esferas, esfregando algumas nos dentes, como pasta de dentes, de modo a percepcionar o seu sabor ao máximo. (...)

O restaurante Craft utiliza uma vinagrete que contém o que denomina "caviar de lima" tanto no sashimi hamachi como nas ostras Kumamoto. "Quando as esferas de sumo explodem na boca, acontece uma explosão de sabor", diz o chef Anthony Zappola. "Os clientes ficam surpreendidos, julgam que é algum tipo de gastronomia molecular e espantam-se ao descobrir que é uma fruta.
"


A Australian Fingerlime Growers Association, como seria de esperar, desenvolve um trabalho profundo de investigação (junto da indústria restaurativa) de aplicações gastronómicas e de mercados o qual pode ser melhor analisado no seu site.


(Fonte: Australian Fingerlime Growers Association)


Um pdf com algumas receitas pode ser importado a partir daqui.


Se um dia destes um chef mais empreendedor quiser arriscar, I'm game. Ou neste caso, fruta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bagas de Goji


Há quinhentos anos deveria ser corriqueiro o aparecimento de novidades nas bancas da Rua Nova dos Mercadores. Lisboa, para os seus habitantes, pareceria - era? - o centro do mundo, para onde convergiam a velha Índia e as novas Índias, as exóticas e desejadas especiarias e as ainda não desejadas - porque desconhecidas - descobertas dos Brasis.

Um corrupio de gentes, um entusiasmo no ar, já cheio de carregados aromas, uns a evitar, outros a descobrir. Oportunidades, riqueza, poder. Lisboa era mesmo o centro do mundo.

"O Inferno", de Cristóvão de Figueiredo ou autor desconhecido, conforme os gostos, Museu Nacional de Arte Antiga
Notem-se as características do diabo que preside
Esses ecos chegam-nos apenas por um exercício da razão, já que a memória dos apagados séculos mais recentes nos acabrunhou numa espécie de cul-de-sac da Europa. A Lisboa de até há pouco, era uma cidade a preto-e-branco, resignada na sua falta de criatividade, subjugada ao um-dois-três da salsa-coentro-hortelã, da pera-maçã-laranja, da batata-massa-arroz.

E depois, como se finalmente fosse o tempo de tudo se voltar a conjugar, tudo voltar a confluir, os deuses da vontade dos consumidores ou os deuses do comércio internacional pareceram ter decidido que já era tempo de retornarmos à aventura da descoberta.

Recomeçaram a chegar novos produtos, ervas tanto tempo desejadas a partir das fotografias de livros e revistas de outras paragens, especiarias das rotas de Samarcanda, tropicálias em fruto.

Reencontros e descobertas.

Um destes dias, na montra de uma das mais tradicionais lojas da Baixa, estas bagas de GOJI. O que são, como se degustam?

Parecem consubstanciar um daqueles sete-em-um milagres new age: ricas em antioxidantes, têm fama de virtudes de anti-envelhecimento, afrodisíacas, de benefícios contra doenças cardiovasculares e inflamatórias, problemas de visão, dos sistemas neurológico e imunitário, de melhoria dos níveis de insulina e de redução dos níveis de colesterol, de ajuda no processo digestivo e na perda de peso, na prevenção de gripes e constipações. Si non è vero...

Degustam-se a solo, as they are, em misturas com outras frutas secas e/ou frescas, em batidos, mueslis, chás. Também podem ser demolhadas e rehidratadas em água, para obter uma consistência próxima da original, aproveitando-se a água para qualquer preparação culinária.

Devem-se guardar em local fresco e seco, em pacote ou frasco bem fechado.

E eis algumas sugestões:

Compota de gojis e amoras silvestres


Ingredientes:
200g bagas goji
200g de amoras silvestres
500g de açúcar amarelo
1 pau de canela


Preparação:
Demolhe as gojis num pouco de água durante cerca de 30 minutos.
Lave bem as amoras.
Leve ao lume as amoras e as bagas escorridas, juntamente com o açúcar e o pau de canela. Deixe ferver até ganhar consistência. Depois, retire o pau de canela e desfaça a fruta com a varinha mágica. Guarde em frascos.
Sugestão: Pode substituir as amoras silvestres por framboesas ou outras bagas.


Batido de gojis e banana

Ingredientes (para 2 pessoas):
4 colheres de sopa de bagas goji
1 banana
1 colher de sopa de coco ralado
1 colher de chá de maca peruana
água filtrada q.b

Preparação:
Misture a banana às rodelas com os restantes ingredientes num liquidificador. Bata bem até obter uma mistura homogénea. Misture água até obter a consistência que lhe agrade. Sirva fresco.


Compota de gojis e tomate

Ingredientes:
200g bagas goji
1kg tomate maduro
600g de açúcar amarelo
1 pau de canela
1 casca de limão

Preparação:
Demolhe as gojis num pouco de água durante cerca de 30 minutos.
Descasque o tomate e corte-o em pedaços pequenos. Deixe-o escorrer, juntamente com as gojis durante 1h, para retirar o excesso de água.
Leve ao lume o tomate e as bagas escorridas, juntamente com o açúcar, a casca de limão e o pau de canela. Deixe ferver até ganhar consistência. No final, retire o pau de canela e a casca de limão. Guarde em frascos.
Sugestão: Se preferir, no final desfaça o tomate e as gojis com a ajuda da varinha mágica.
Aproveite a água que escorreu do tomate e das gojis para cozer arroz ou para outra preparação culinária.


Pudim de gojis

Ingredientes:
1 l leite de soja
100g de bagas goji
3 colheres de açúcar amarelo
sumo de ½ limão
3 colheres de sopa de algas agar-agar
2 colheres de sopa de maisena

Preparação:
Coloque as bagas de molho, cerca de 2h, em algum leite de soja. Leve o leite, as bagas, o sumo de limão e o açúcar ao liquidificador e misture bem. Leve a ferver e junte a agar-agar e a maisena dissolvida num pouco de leite. Mexa bem e desligue. Coloque numa taça e leve ao frio até solidificar.
Se preferir pode ainda barrar a forma do pudim com caramelo.

(Fonte: http://www.bagasgoji.com)


Gelatina de gojis

Ingredientes (para 6 taças):
85g de bagas goji
3 colheres de sopa de açúcar amarelo
1 l de água
2 colheres de sopa de aga-agar


Queques de goji

Ingredientes (para cerca de 10 unidades):
200g de açúcar amarelo
100g de farinha de trigo
50g de farinha de centeio integral
3 colheres de sopa de maisena diluída em 6 colheres de sopa de água
1 colher de chá de fermento
sumo de 1 laranja e meia
3 colheres de sopa de bagas goji demolhadas
azeite q.b.


Chá antioxidante de bagas goji

Ingredientes:
200ml de água filtrada
1 colher de folhas de chá pu-ehr simples (chá vermelho)
2 colheres de chá de bagas goji secas


Compota de gojis e tomate

Ingredientes:
1kg tomate maduro
200g bagas goji
600g de açúcar amarelo
1 pau de canela
1 casca de limão

(Fonte: centrovegetariano.org)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Notas (II) - Vinagre Melfor



É bastante usado na região francesa da Alsácia - região de consumo elevado de vinagre desde a Idade Média -, de onde é originário, tendo sendo criado em 1922 por um senhor de nome Higy, cuja família ainda detém o negócio (em Mulhouse, Alto Reno).

Ao contrário da maioria dos vinagres - que são de vinho - é elaborado a partir de álcool de beterraba diluido, modificado pela fermentação acética. Esse facto e a junção de mel e de um extracto de ervas aromáticas (e mais um coranate natural à base de caramelo para lhe acrescentar cor) torna-o mais doce e menos ácido que os vinagres tradicionais.

Pelas suas qualidades, é uma boa escolha para casar com o azeite em vinagretes, para saladas ou espevitação (eu não sei se a palavra existe, mas estão a perceber o sentido, não estão?) de vegetais crus (que é como quem diz crudités em português quando não se lembra se existe tradução para a mesma...). Parece que é um bom aditivo a uma sopa de feijão ou à água de cozedura de uma couve.

Apesar da grande implantação local, é um produto de nicho, em parte devido às restrições de comercialização que a lei francesa impôs durante muito tempo devido a um grau de acidez inferior aos mínimos legais definidos para o vinagre.

Em Portugal, então é mesmo de nicho-nicho, não o tendo encontrado nos sítios do costume. Diz-me um amigo francês que o Lidl o comercializa sob a designação Mikado. Se o faz em Portugal, não dei por ele.

Como sempre, experiências e descobertas serão bem vindos.

(Fotografias promocionais)