segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um talho de sonho

Ficamos tão longe, mas a tantos anos-luz que irrita.

Não somos nós-nós indivíduos que até tentamos ver mais para além do que a mera sobrevivência em cada alimento que compramos. 

Não somos nós-nós contemporâneos de toda a gente que perdeu o sentido da exigência algures entre a corrida para casa e a falta de cultura gastronómica.

Ah, mas somos nós, contemporâneos de talhos que não são este.

Estes são os nossos talhos:

Muito porco, vaca quanto baste, aves pois claro, vísceras algumas, enchidos com certeza. Preparados, já se vão vendo em alguns lados, almôndegas, um rolo recheado... oh, tão pouco quando comparado com o que podemos ver lá por fora,


mas, enfim, são diferenças... digamos de "gosto", de poder económico, de fartura.

Agora ver este talho tira-me do sério:








 Isto não é deste planeta, desta galáxia, deste universo. Isto é... bom, isto é uma bela maneira de me deixar sem palavras e com um enorme desejo de ir viver para Sidney, bairro de Woollhara que é onde este talho de seu nome Victor Church (para os que começaram logo a pensar em novo-riquismos de recém-chegado saiba-se que existe desde 1876) está instalado.

Recomendo vivamente a leitura do seu site: para além da sua qualidade, maravilhem-se com as actividades que se podem inventar para um talho providenciar (anos-luz, lembram-se?)

Quem quer ser vegetariano com uma loja destas por perto?

[NOTA: Com uma grande chapelada ao The Cool Hunter pela descoberta e pelo empréstimo das fotos]

A França por regiões #2 - Aquitaine (III) - Dordogne e Lot-et-Garonne

Bem vindos ao Perigord  ou, como a burocracia oficial lhe resolveu chamar, em homenagem à natureza fluvial, à Dordogne!

(fonte: www.1france.fr)
O seu a seu dono: chamar-lhe-emos Perigord. Perigord das quatro cores: o "Périgord Vert" com Nontron como principal cidade, de vales verdejantes numa região cortada por inúmeros rios e riachos, o "Périgord Blanc", região de planaltos calcários, o "Périgord Pourpre" com capital em Bergerac (Cyrano, lembram-se?), região vinícola e o "Périgord Noir" em torno de Sarlat, com os vales do Vézère e Dordogne, onde os bosques de carvalhos e pinheiros lhe dão o nome.



Sarlat
Região que oscilou entre mãos francesas e inglesas durante a Idade Média, centro da disputa que indispôs os dois reinos e que culminou na Guerra dos Cem Anos, nela souberam resistir ao tempo e seus humores bélicos mais de 1200 castelos, palácios e fortalezas, fonte inevitável de turismo contemporâneo.


Produto montra, o foie gras

(fonte: http://www.foie-gras-sarlat.com
de ganso ou pato, inteiro ou em bloco. Mas também patés e terrinas, rillettes e grillons, os confits, os gésiers (moelas)

(fonte: http://www.foie-gras-sarlat.com)
os magrets, o enchaud,

(fonte: http://www.foie-gras-sarlat.com)
o pescoço de ganso recheado...

Apesar do renome dos produtos trabalhados é, no entanto a um cogumelo que o Périgord deve a eternidade gastronómica: o Tuber melanosporum mais comummente conhecido por Trufa negra ou Trufa do Périgord

(fonte: wikimedia commons)
o "diamante da cozinha", assim crismado por Brillat-Savarin e por muitíssimos endeusado. [Nota da redacção: se se vir na posse de uma destas preciosidades, experimente fechá-la em recipiente selado com alguns ovos durante uns dias; bata-os simplesmente, acrescente natas e faça um mexido rápido num pouco de manteiga, deixando a trufa para outras aventuras; regale-se com o aroma e com o sabor].

O cabécou,

(fonte: wikimedia commons)
é um água-na-boa-quero-mais-um-se-faz-favor queijo de cabra, com mais de uma dúzia de variantes (das quais o Rocamadour é a mais destacada). Desde 1992, a denominação Cabécou du Périgord é protegida por uma marca colectiva, sendo a sua produção controlada por um exigente caderno de encargos.

Reserve-se ainda espaço para o licôr e o óleo de noz, os óleos de amêndoa ou de avelã e os morangos do Périgord. 

Situadas na província de Bergerac, as vinhas da região oferecem 13 denominações de origem controlada (AOC): 
  • Pécharmant (tintos elegantes e de grande intensidade aromática);
  • Rosette : (brancos doces, de uma grande elegância);
  • Bergerac (3) : (brancos secos frutados, tintos que atingem o seu melhor aos 4-5 anos e rosés obtidos por sangramento, melhor apreciados quando jovens);
  • Côtes de Bergerac (2) : (tintos trabalhados a partir das melhores selecções de cada produtor, estruturados, com aromas de frutos e uma excelente aptidão para envelhecer em garrafa; brancos de côr dourada, aliam frescura aromática e redondez na boca);
  • Saussignac : (vinhos doces ou licorosos amplos e ricos, com aromas de acácia e pêssego, desenvolvem um bouquet generoso e complexo);
  • Monbazillac : (licorosos elegantes, renomados, com aromas de mel, acácia e pêssego);
  • Montravel (4): (Montravel sec, Côtes de Montravel, vinhos doces de grande complexidade, Haut-Montravel, vinhos doces suaves com uma grande concentração, Montravel tinto, grandes vinhos).



Da rica (em diversidade e calorias) gastronomia regional, destaque para as as batatas sarladaises

(fonte: www.foie-gras-sarlat.com)
fritas em gordura de ganso, com alho e salsa (e cogumelos e trufas para ocasiões especiais), para o sauce Périgueux,a omelette aux Truffes.

(fonte: aqui)
Departamento criado na sequência da revolução francesa, o Lot-et-Garonne reuniu parte das antigas províncias da Guyenne e Gascogne. Dividir para reinar...

Turismo fluvial (mais de 200 km de canais navegáveis), bastides

Monpazier (autor: Alain Michot, aqui)
castelos e, ah sim, a gastronomia.

Principais produtos do terroir:

O pruneau d'Agen, ameixa seca (site) ; o  morango (primeira região produtora de França) - as variedades Gariguette et Ciflorette obtiveram o Label Rouge ;

(fonte: Wine & Food)
o melão, melon de Lectoure-Nérac


de polpa alaranjada, com um perfume intenso, prazeiroso, refrescante.


O tomate de Marmande,

(fonte: wikimedia commons)
reconhecível pelo formato irregular, com sabor acentuado, ideal para saladas e sandes.

A avelã. Cancon: capital francesa da avelã (98% da produção nacional é aqui tratada); o foie gras de pato; o magret.

Os vinhos,


(fonte: Lot-et-Garonne, Conseil Général)
Nos restaurantes, só um 3 estrelas mas um que tem no seu pedigree a chefia de Michel Trama. Deixo-vos as palavras de Michel Serres, da Academie Française:


(fonte: http://www.theworldwidegourmet.com/gc/establishments/europe/aubergade/)
"No Norte da província de Agenais reina Michel Trama. Aubergade é seu palácio e Puymirol a capital. (...) nenhuma mesa em Paris se equipara a esta, onde tudo converge para a perfeição: o enraizamento na produção local, a variedade, o gênio inventivo, a seriedade da preparação e o estilo que faz o homem. (...)

Michel Trama cria uma síntese dos estilos de cozinha antigo e novo, de um cozinhar tradicional, quase rústico,  com uma abordagem que é futurista e inesperada. As trufas, pato, bacalhau, alho e cebola de seus ancestrais ainda estão no prato, confiáveis como sempre, mas nas mãos de Michel transformam-se, como um alquimista a transformar chumbo em ouro. O pato é servido com brandade, a truta é aromatizada com caldo de aves. Se você gosta de pele de frango crocante, aqui a pele de peixe crocante, fina e deliciosa, irá encantá-lo. Trama habilmente combina ingredientes como um botânico cria uma nova variedade de flor: a lagosta é fatiada entre finas camadas de lasanha que revelam folhas de salsa incorporadas .

O seu gênio é evidente, a par de um rasgo de excentricidade artística que de repente pode abrir um novo horizonte. O millefeuilles e as feuillantines de nougatine e chocolate são transparentes, etéreas, celestiais ... tudo se conjugando para tornar esta uma das salas de jantar mais importantes da França. No sorriso de Maryse TRAMA e os olhos cintilantes do Michel é possível ver a maestria e o entusiasmo, bom gosto e confiabilidade, intuição e vontade. Já bem adiantados, parecem dispostos a ir ainda mais longe. Quão alto eles vão subir "

RECEITAS:

Les pruneaux Roquebrune (fonte: Lot-et-Garonne, Conseil Général)


Ingredientes:
- 18 ameixas de Agen "muito grande",
- Roquefort
- Manteiga,
- Massa folhada

Modo de preparação: 20 min
Utilizando uma pequena faca afiada, dividir as ameixas no sentido do comprimento, retirando o caroço.
Misture a manteiga com Roquefort. Recheie as ameixas com mousse de roquefort
Envolva as ameixas com massa folhada.
Coloque no forno quente (gás marca 7) 10 min

La tarte au chèvre, lard et pruneaux (fonte: Lot-et-Garonne, Conseil Général)


Ingredientes para a massa:
- 250 g de farinha
- ½ xícara de água
- 1 colher de sopa de azeite
- 1 pitada de sal
- 1 colher de sopa de ervas de Provence
Ingredientes para decorar:
- 12 fatias de bacon
- 250 g de ameixas secas sem caroço
- 100 g de queijo de cabra não muito seca (pélardons, esterco ...)

Preparação:
Prepare a massa, embrulhe em filme plástico antes de deixar descansar uma hora.
Enfarinhe a forma e aqueça o forno a 180 graus (gás marca 6).
Coloque a massa no molde deixando-as sair das bordas. Guarneça o fundo com 6 fatias de bacon, coloque as ameixas secas e o queijo em fatias grossas cerca de um centímetro. Sobre o queijo, faça uma cruz com o resto do bacon. Dobre as bordas da massa, coloque no forno por 45 minutos a 150 º (5 º)

Salade de fraises et de carottes (fonte: fraiselabelrouge.fr)

Ingredientes:
300 g de morangos
500 g de cenoura
1 ramo de salsa
1 limão
3 colheres de sopa de azeite
sal / pimenta

Preparação:
1.Corte raspas de limão em tiras
2.Retire o sumo do limão
3.Numa tigela misture o suco de limão, azeite, sal e pimenta
4.Corte as cenouras em tiras finas e pique a salsa e coloque na tijela
5.Lave, seque os morangos
6.Corte em pedaços e adicione à salada

Magret aux Noix et au Miel (receita de Nicole Peyrafitte, aqui):

2 magrets de pato Moulard
1 chalota picada
½ xícara de conhaque ou Armagnac
1 xícara de caldo ou 2 colheres de sopa de demi-glace
2 colheres de chá de mel
2 colheres de sopa de nozes sem casca
1 colher de sopa de manteiga sem sal

Corte a pele do magret em cruz. Não corte a carne, apenas a pele.
Sal e pimenta ambos os lados.
Coloque numa frigideira quente sobre o lado da pele - não há necessidade de adicionar gordura.
Cozinhe por cerca de oito minutos ou mais no lado da pele dependendo do ponto da cozedura que desejar.
Vire-o para o lado da carne e frite cerca de 4 minutos.
Retire e mantenha entre dois pratos para evitar a perda de calor.
Escorra a gordura da frigideira, deixando cerca de 1 colher de sopa (guarde a gordura para fritar as batatas à sarladaise).
Refogue meia taça de chalotas até ficarem transparentes.
Deglace a frigideira com o Armagnac e flambeie.
Adicione 1 colher de sopa de mel e 1 xícara de caldo de carne. Deixe reduzir, em seguida adicione 2 colheres de sopa de nozes sem casca - não deixe as nozes demasiado tempo na frigideira senão darão um gosto amargo ao molho.
Corte o magret em fatias na horizontal, despeje todo o molho na panela. No último minuto terminar o molho com um bocado de manteiga, sal e pimenta a gosto.

domingo, 7 de novembro de 2010

Culinária de Lisboa #7 - Sopa de Espinafres

Querida Mô,

Uma semana de chuva brutal (brutal porque nos mói a paciência a violência dela a cair, violência porque, depois deste Outubro de Sol nos aparece sem aviso, sem aguaceiros nem mansidão de molha-tolos), a estragar-me ainda mais o humor tão abalado com a novela política do momento.


Perante um dia que não seca mais e um cinzentismo que vem dos homens e do céu que fazer se não pegar nos clássicos e refugiar-me na Arcádia escolhida?

Erro, erro meu porque resolvi - amuado que estou com o regime, com a Res Publica e a República - buscar no regime anterior algum apaziguamento (confesso: perante tanto disparate proferido pelo chefe do Governo, procurei um confronto com as palavras de um Chefe de Estado não eleito...). Infelizmente, o volume que me chegou à mão eram as Cartas do Senhor D. Pedro V, esse infeliz, romântico e breve rei que, como triste figura assombrou ao de leve a sociedade lisboeta de meados de Oitocentos.

Ora ler o moço rei é, neste tempo de crises múltiplas, descobrir-lhe um agudo sentido de previsão. A sua análise, as suas palavras, aquela certeira intuição do país e da classe dirigente não são dirigidas aos seus contemporâneos - é aos meus! Parámos no tempo? Demos voltas à História para estacionarmos no mesmo sítio?

Faltam-me forças, minha amiga. Nesta Lisboa de ruas que se afogam com uma bátega mais forte, de prédios corroídos, de abandono, desilusão, nesta Lisboa de um desencanto total das pessoas nos homens e mulheres que governam o país, faltam-me forças.


É. É melhor refugiar-me na contemplação de uma malga fumegante de sopa. De espinafres que talvez me tragam o ferro que falta para enfrentar tamanha desilusão de gentinha.


1 kg batatas; 2 l água; 2 cebolas; 2 cenouras; 1 dl azeite; 1 molho espinafres

Cozem-se as batatas sem casca, as cebolas e as cenouras, cortadas em pedaços. Passam-se com a varinha mágica. Adicionam-se os epinafres bem lavados e o azeite. Coze 5 minutos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um dia bem passado no Trinca Espinhas

Não há melhor programa (durante este mês há, porque o restaurante fecha para férias todos os Novembros) para um Sábado: rumar em direcção a Sines e continuar até à praia de S. Torpes ali mesmo no início onde, por acção da Central térmica, a água era seguramente 1 a 2 graus mais quente.

Estacionar no parque fronteiro, dirigir-se ao simpático edifício em madeira (não temer: o edifício é todo novo), entrar e reclamar a mesa marcada, de preferência junto à janela:



Olhar langueirosamente o mar,



distrair-se com as estranhas aves que navegam os tectos,


passear os olhos pelas paredes,



e entreter-se com as entradas trazidas, só elas a valerem a viagem, pela correcção dos temperos e das cozeduras, pelo empenho que demonstram na execução, pelos sabores.







Deixar que o dono Luís escolha o vinho - decisão sábia da qual é impossível o arrependimento.


Aguardar com toda a calma, que a viagem vai a meio e as paisagens mais bonitas estão para chegar:

o peixe, fresquíssimo e sabiamente frito,


uma magnífica açorda à lisboeta de ovas, no ponto certo de cozedura e humidade, de sabor finíssimo,


uma raia de alhada com batata doce que é um não mensurável prazer,


e depois os doces, uma eterna tentação mesmo para os pouco convertidos como eu,




Vale tanto a pena este Trinca Espinhas!

Cozinha, espaço, estacionamento - tudo no máximo. Só não alcança o nível absoluto porque, por característica própria e bem, entende manter o espírito desprendido prórpio num restaurante à beira-praia (mesas sem atoalhados, por exemplo). Coisices de classificação: 4,5/5.

A descobrir, redescobrir e confirmar muitas vezes. E tragam a companhia certa, que segredos destes não são para partilhar com quem não merece.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Leitões na Bairrada

(fonte: Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada - leitaobairrada.com)
Nelson dos Leitões - Rio Côvo
Jorge Marques dos Leitões - Rio Côvo

Turiságueda - Águeda
Restaurante 2 Entradas - Águeda

Zito dos Leitões - Recardães

Casa dos Leitões de Águeda, de José Carlos Figueiredo - Préstimo

Casa S. Sebastião - Trofa

José Augusto e Olga dos Leitões - Aguada de Cima
Jorge Manuel Fernandes Pereira - Aguada de Cima

Miraldo dos Leitões (Centro Social de Oiã)

RESTAURANTE MUGASA (É O MELHOR, GUIDA DIXIT)
Apartado 49 - Fogueira ; 3781-908 SANGALHOS
Telefone - 234741061

Restaurante Casa Vidal leitão da Bairrada
Rua das Almas - Almas Areosa ; 3750-043 AGUADA DE CIMA; Aveiro
Tel 234666353

Restaurante O João da Piedade
Piedade-Espinhel
3750-406 ESPINHEL

Nova Casa dos Leitões

Vidal Agostinho

Confraria Gastronómica do leitão da Bairrada


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quão picante é o picante?

Que a coisa picante causa habituação é, pelo menos para o meu palato, caso confirmado. É-me cada vez mais habitual assistir impávido aos esgares de afogueamento dos meus convivas perante um prato para mim apenas puxado. Face a corridas desesperadas a qualquer fonte líquida de acalmação de língua, garganta ou estômago, reajo com uma indiferença quase olímpica, um pouco invejoso dessas sensações extremas, muralhado que se tem vindo a construir o meu sistema digestivo a tais acometidas.

Sopa ácido-picante? Uma sensaboria. Chilies com carne? Boring. Mostarda de Dijon? Comichões sem graça.

Encontro apenas um oponente de valor perante o qual me vergo: o wasabi. Mas esse delicioso amouse-bouche descobriu a maneira de me bater: ao invés de descer às profundezas do meu ser, eleva-se airoso - e é vê-lo a tentar perfurar-me a caixa craniana depois de explodir com a calmaria do meu nariz.

O wasabi é um verdadeiro BADABUM.


E, no entanto, conheço quem o coma à colher, a desafio.

Apesar da subjectividade com que nos atinge, a "picância" dos pimentos chilies foi quantificada em 1912 por um químico americano - Wilbur Scoville de seu nome - a partir da quantidade de capsaicina (um composto químico que estimula os recptores químicos das extremidades nervosas da pele) presente em cada espécie daqueles. Dessa quantificação nasceu a Escala de Scoville que ordena as diferentes espécies de acordo com a sua pungência: quanto mais acima, mais agressiva a sua degustação.

Os chilies perante Scoville
(fonte e artigo a ler: http://www.eatmorechiles.com/Scoville_Heat.html
No que respeita ao wasabi, ele está fora desta escala porque o seu poder de fogo não se baseia na capsaicina, antes nos isotiocianatos. Enquanto os primeiros agem sobre as papilas gustativas, estes produzem vapores que afectam as fossas nasais. Daí o caminho direito para o nosso cérebro.

De onde se comprova que a nossa língua se habitua mais ao quotidiano do que o nariz.