sábado, 18 de fevereiro de 2012

Portugal Gastronómico: A Laranja de Amares


(Fonte:   http://laranjas_brilhantes.blogs.sapo.pt  )
De casca fina, sumarenta e doce, à Laranja de Amares faltará, porventura, uma melhor conjugação de esforços de todos os envolvidos (produtores, autarquia, serviços regionais do Ministério da Agricultura) para obter a oficialização de qualidade que a atribuição de uma IGP lhe garantiria.

No início de 2011, no livro ‘Recetas de Repostería Tradicional de la Cocina Familiar Gallega e Portuguesa’ (Ed. Nigratea, Galiza), as autoras Elvira Araújo e Matilde Felpeto apresentam algumas receitas tendo como ingrediente base as laranjas da região. Elvira Araújo, amarense, estará presente no Festival das Papas de Serrabulho com um Show Cooking subordinado ao tema "Doces com Laranjas de Amares".

Editada para a ACITRA (Associação dos Citricultores de Amares) pela SKILLMIND, foi editada a brochura "Manual do Consumidor /Transformador da Laranja de Amares" da qual, com a devida vénia, se transcreve a seguinte informação:

"Pensa-se que a laranja de Amares é originária da China, tendo sido transportada posteriormente para Macau. Surge então, associada aos Descobrimentos Portugueses, uma vez que os nossos descobridores a trouxeram para esta região. O clima em Amares, deu corpo à suculenta e saborosa laranja de casca fina que delicia os mais requintados paladares e refresca nos meses em que o calor é mais intenso. É, precisamente, nos meses sem “r”, de Maio a Agosto que a Laranja de Amares se torna mais suculenta e saborosa. É, ainda, na gastronomia e na doçaria regional que utilizam este citrino como aliado na confecção das iguarias doces e no acompanhamento de pratos regionais.(...)


Transformação da laranja em licor

(...) Relativamente à transformação da laranja em licor, é necessário 1L de aguardente, cascas de laranja e água e açúcar na mesma proporção. Num litro de aguardente mergulham-se durante uns dias as cascas da laranja. Faz-se um litro de xarope de açúcar (igual quantidade de água e de açúcar), junta-se a aguardente, agita-se bem, filtra-se e engarrafa-se.


Transformação da laranja em compotas

A compota é uma das formas de rentabilizar a fruta. Prepara-se com dois ingredientes principais: a fruta e o açúcar. Deve dar-se preferência a frutos da época, frescos e não muito maduros. Na preparação da fruta, devem retirar-se os caules e partes maduras ou apodrecidas. Se forem usados frutos com caroço, estes devem ser retirados. No que diz respeito à escolha do açúcar, as opções variam. O melhor açúcar é o de confeiteiro. Os ingredientes devem ser pesados cuidadosamente.

Colocar num tacho os frutos anteriormente preparados e adicionar a quantidade de água indicada e deixar ferver até ficarem maduros. Esmagar os frutos contra o tacho de modo a fazer escorrer o sumo. 
A mistura deve fazer diminuir cerca de  1/3 antes de lhe juntar o açúcar. Enquanto deixa a fruta a cozinhar, deve pesar-se bem o açúcar e aquecer no forno, no ponto mais baixo durante cerca de 15 minutos. O açúcar irá dissolver-se melhor na mistura com a fruta se for aquecido primeiro. Quando a fruta estiver suficientemente amolecida, deve juntar-se o açúcar todo de uma vez e mexer em lume brando até estar dissolvido. Depois de dissolvido, deve aumentar-se o lume, deixar ferver, mexendo só de vez em quando, até chegar ao ponto certo. Pode usar-se o termómetro, se a compota estiver nos 180º, está pronta.

Compota de Laranja
1kg de açúcar, 2 limões médios descascados, 3 cravos-da-índia, 12 laranjas médias, 2 paus de canela.

Cortar as laranjas e os limões em fatias finas. Colocá-las numa panela grande, juntar meio litro de água, o açúcar, o cravo e a canela. Levar ao lume, mexer de vez em quando, por 20 minutos ou até a laranja ficar macia.
Retirar do lume e deixar arrefecer.


Cristalização da casca da laranja

Muito mais do que um aproveitamento, as cascas de laranja açucaradas/cristalizadas acompanham por exemplo, um café. Pode ainda ser utilizado para a confecção de bolos. No que diz respeito a ingredientes, são necessárias cascas de laranja (1 parte) e açúcar (1,75 partes). As cascas devem ser o mais inteiras possível. Corta-se o topo e a base das laranjas, de seguida fazem-se cortes verticais, de 4 em 4 cm, apenas na casca, à volta de toda a laranja e retira-se a casca. Na tábua, cortam-se estas cascas em tiras finas, de aproximadamente 3 mm. Demolham-se em água fria, no mínimo 8 horas e no máximo 18 horas. Escorrem-se as cascas apertando ligeiramente. Numa panela colocam-se as cascas e o açúcar. Deixa-se derreter, mexendo ocasionalmente. O açúcar vai fundir, ferver, espumar e engrossar. Durante este tempo vai-se mexendo com a colher mas sem partir as cascas, apenas para as soltar. Quando atingir os 120º, está no ponto ideal, que se verifica se “abrir uma estrada” no fundo
da panela. Mexe-se vigorosamente, e o açúcar ficará mais opaco. Desliga-se o lume, continua-se a mexer e ele açucará. Mexe-se um pouco para arrefecer e soltar as laranjas. Verte-se para uma travessa ou um prato grande. Com um garfo separam-se as cascas e colocam-se num prato a arrefecer.


Doçaria

Bolo de Laranja
150 g de manteiga, 150 g de açúcar, 1 laranja, 3 ovos, 150 g de farinha e 1 colher de sopa de fermento em pó.

Bater a manteiga com o açúcar. Adicionar a raspa de laranja e o sumo. Juntar os ovos, batendo. Por fim, adicionar a farinha com o fermento. Deitar a massa numa forma untada e levar a cozer em forno médio (180º) durante cerca de 20 minutos.

Bavaroise de Laranja
2 dl de natas, 5 dl de leite gordo, 100g de açúcar, 6 gemas de ovos, 5 folhas de gelatina incolor, casca de 1 laranja, sumo de 3 laranjas.

Levar o leite a ferver, juntamente, com a casca de laranja, bater as gemas com o açúcar de modo a obter um creme fofo e homogéneo. Juntar, ao creme de ovos, o leite em fio. Levar de novo a mistura ao lume e, mexendo sempre, deixar engrossar. Retirar do creme a casca de laranja e juntar o sumo. Dissolver a gelatina, depois de a ter demolhado em água fria. Bater as natas até ganhar consistência de chantilly e incorpore-as cuidadosamente no creme de laranja, depois de ligeiramente arrefecido. Levar ao frigorífico para solidificar.

Bolo de laranja com cobertura de chocolate
4 ovos, 200 g de açúcar, 125 g de manteiga, 125 g de farinha trigo, 1 colher de chá de fermento, raspa e sumo de 2 laranjas, 40 g de laranja cristalizada.

Bater a manteiga com metade do açúcar e juntar as gemas. Adiciona-se a raspa de laranja e bate-se. Envolver a farinha com o fermento alternando com as claras batidas em castelo com a outra metade do açúcar. Depois de tudo bem envolvido deite o preparado numa forma, untada e polvilhada com farinha. Leve ao forno, pré-aquecido a 180º cerca de 50 minutos. Assim que retirar do forno, colocar o sumo das laranjas com 3 colheres de sopa de água e uma colher de sopa de açúcar numa caçarola e levar ao lume até ferver. Retirar do lume e deitar em cima do bolo ainda na forma. Quando frio, desenforma-se e faz-se a cobertura. Relativamente à cobertura, deve ferver-se as natas e juntar o chocolate ralado, mexendo até que o chocolate tenha derretido. Juntar a manteiga em pedaços e mexer tudo.

Biscoitos de Laranja
4 ovos, 150 g de açúcar, 175 g de farinha, raspas de laranja q.b, manteiga para untar, açúcar pilé para polvilhar, 1 colher de fermento.

Numa tigela, bata os ovos com açúcar. Juntar a farinha, o fermento, a raspa de laranja, mexendo com cuidado e sem bater. Untar assadeiras com manteiga e colocar a massa, bem separada.Polvilhar com açúcar pilé. Levar ao forno durante 25 minutos,em lume brando. Quando os biscoitos estiverem douradinhos, estes devem ser retirados do forno e descolados com o auxílio de uma espátula.

Charlotte de Laranja
4 laranjas sem caroços, 400g de açúcar, 4dl + 1colher de sopa de água, 5 claras, 150 g de açúcar em pó, 1 colher de sopa de licor Beirão, 8 folhas de gelatina, 4 dl de natas.

Começar por preparar com alguma antecedência, as laranjas. Lavar 3 laranjas, rejeitar as pontas e cortar a laranja em rodelas finas. Levar 250 g de açúcar ao lume com 4 dl de água. Deixar ferver durante 2 minutos. Introduzir as rodelas da laranja, reduzir o calor para o mínimo e deixar cozer durante cerca de 1hora 20 minutos, o mais suavemente possível. Deixar as laranjas nesta calda durante cerca de 18h horas. Passar por água 1 tigela com cerca de 1,5l de capacidade e forrá-la com película aderente. Escorrer, cuidadosamente, as fatias de laranja, colocá-las na tigela de modo a forrá-la completamente e colocar no congelador enquanto se prepara o creme. 


Bater as claras em castelo, juntando-lhes o açúcar. Dissolver 150 g de açúcar no sumo da restante laranja. Levar ao lume até obter um ponto espesso (115º). Adicionar este xarope, em fio, às claras, batendo vigorosamente. Juntar ainda a casca de laranja e o licor Beirão. Dissolver as folhas de gelatina, previamente demolhadas, numa colher de água quente. Bater as natas e juntá-las ao preparado anterior. Deitar o creme na forma preparada e levar a solidificar no frigorífico durante 6 horas. Para desenformar mergulhar a forma em água quente e virar a Charlotte para o prato retirando cuidadosamente a película.

Gelado de laranja e chocolate
250g de chocolate, 1 lata de leite condensado e (o volume de)1 lata de sumo de laranja.

Separar 1/3 do leite condensado para um recipiente e deitar o restante numa tigela. Medir o sumo de laranja pela lata e misturar à porção do leite da tigela. Depois de bem batido, deitar o preparado em pequenas formas de flans de alumínio e colocar no congelador. 4 horas depois, o gelado estará pronto.

Relativamente ao molho, derreter o chocolate em banho-maria, ao qual misturou a menor porção do leite condensado guardado para esse efeito no inicio da confecção. Desenformar o gelado sobre pratinhos e regar com o molho.

Pão-de-ló de laranja
6 ovos, 200g de açúcar, 150g de farinha, 1 chávena de café de óleo, 2 laranjas, 1 colher de chá de fermento.

Bater as gemas com o açúcar, adicionar o óleo e bater. Juntar o sumo de laranja e adicionar a farinha. Por fim, envolver as claras. Colocar numa forma untada e polvilhada com farinha. Vai ao forno a 200º cerca de 40 minutos.

Pudim de laranja
1 copo de sumo de laranja, 1 copo de água, 3 colheres de sopa de maisena, 3 colheres de sopa de  açúcar. Para a calda é necessário 1 copo de laranja, ½ colher de maisena, 2 colheres de açúcar.

Dissolver a maisena, juntar os ingredientes e misturar. Levar ao lume até engrossar, despejar numa forma previamente humedecida e levar ao frigorífico. Para a calda levar ao lume todos os ingredientes até obter o ponto de fio. Depois, colocar por cima do pudim. (...)

Bibliografia
• Jordão, A.P., (2002), Pequeno Tratado das Compotas e outros
Segredos Preparados. Porto: Garrido.
• Rodrigues, J. C., (2000), Licores Caseiros. Lisboa: Editora Notícias."

Amares, Festival das Papas de Sarrabulho


Sim, é um pouco em cima da hora, mas até 3ª feira podem ir até Amares descobrir os segredos das papas de serrabulho nos vários workshops e show cooking integrados na 10ª edição do Festival homónimo.

Mais de trinta expositores - entre os quais os restaurantes mais afamados no capítulo das papas e tasquinhas de produtos regionais (vinhos, doçaria, fumeiro, entre outras) - estarão presentes na Escola EB 2,3 de Amares

Como objectivos confessados, o Festival procura "dinamizar as actividades económicas do concelho de Amares, assim como o seu património gastronómico, turístico e cultural e promover os produtos de origem local e regional, artesanato, vinho, doçaria e a laranja de Amares."

Para abrir o apetite (e aprender...) aqui ficam as duas receitas emblemáticas do Fim de Semana Gastronómico que se realizará igualmente este fim de semana:


Papas de Sarrabulho

Cozer carne de vaca, galinha velha, osso da suã e presunto e cravinhos, uma cenoura pequena, cebola (pequena), louro, salsa e sal; depois, retirar as carnes e desfiá-las. Logo que possa, coar o caldo e juntar pão de trigo cortado à mão, em pedacinhos. Mexer bem até ficar com a consistência de sopa forte, juntar sangue de porco cozido, esfarelado previamente num “passe-vite” e temperar com cominhos, sumo de limão e pimenta. As quantidades ficam ao critério de cada um, uma vez que nem todo o pão é igual. Deve ficar um caldo saboroso.


Pudim de Laranja

Ingredientes: 400g de açúcar, 8 ovos, uma chávena (de chá) de sumo de laranja de Amares

Bata os ovos inteiros, junte o açúcar e continue a bater um pouco. Junte o sumo de laranja e mexa bem. Coza em banho-maria numa forma previamente caramelizada.


(Fonte: Fins de Semana Gastronómicos)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Portugal Gastronómico #85 - Santa Maria da Feira

(Fonte: Wikipedia)
(Fonte: viajar.clix.pt)

Produtos DOP e IGP:

Concelho integrado na área de produção de:
  • Mel das Terras Altas do Minho DOP

Bebidas:
Vinhos


Outras


Produção concelhia:

Fogaças (ver receita no site da Câmara Municipal)

(Fonte: C.M. Feira)

Almendrados
Amenteigados
Areados

Caladinhos
Feitos com açúcar, farinha e ovos, os Caladinhos são uma espécie de bolacha mole e redonda.
Têm uma história a eles ligada: em 1934, Augusto Padeiro vivia em Santa Maria da Feira e, num dia à noite, estava com os seus funcionários a fazer este biscoito quando foi surpreendido pela polícia do regime de ditadura em vigor naquele tempo. Com pavor, Augusto Padeiro disse aos seus funcionários para estarem calados. Foi então que um dos elementos da polícia o ouviu e o questionou porque tinha mandado calar os seus funcionários, ao que o Padeiro respondeu que não os tinha mandado calar, mas sim que estavam a fazer os calados, os biscoitos caladinhos. Daí provém o nome deste doce típico da região.
(Fonte: verportugal.net)


Produtores / Fabricantes:



Pratos típicos característicos do concelho:



Restaurantes referenciados:

Adega Monhé
Rua Doutor Elísio Castro 55,  Santa Maria da Feira  ; Tel.: 256375412

Orfeu
Rua António de Castro Corte Real, Santa Maria da Feira ; Tel. : 919109086


Eventos de teor gastronómico:

A Festa das Fogaceiras assinala o feriado municipal, a 20 Janeiro, numa tradição secular religiosa e cultural, aliada à gastronomia regional. Esta festividade religiosa, das mais antigas do país, teve origem em 1505, num voto ao mártir S. Sebastião, numa altura em que a região foi assolada por um
surto de peste. Em troca de protecção, o povo prometeu ao santo a oferenda de um pão doce chamado ‘Fogaça’ que na actualidade, ainda é ofertado num cerimonial de procissão e bênção.


Agradecimentos:



Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições
 


EM CONSTRUÇÃO - O post irá sendo actualizado à medida que novas informações sejam obtidas.
Achegas e comentários, bem vindos como sempre

Portugal Gastronómico #84 - Boticas

(Fonte: Wikipedia)
(Fonte: viajar.clix.pt)


Produtos DOP e IGP:

Concelho integrado na zona de produção de:
  • Alheira de Barroso - Montalegre IGP
  • Batata de Trás-os-Montes IGP
  • Cabrito de Barroso IGP
  • Carne Barrosã DOP
  • Carne de bovino cruzado dos lameiros do Barroso IGP
  • Carne de porco bísaro transmontano DOP
  • Carne Maronesa DOP
  • Chouriça de carne de Barroso - Montalegre IGP
  • Chouriço de abóbora de Barroso - Montalegre IGP
  • Cordeiro de Barroso IGP
  • Mel de Barroso DOP
  • Presunto de Barroso IGP
  • Salpicão de Barroso - Montalegre IGP
  • Sangueira de Barroso - Montalegre IGP

Bebidas:

Vinhos

"Vinho dos Mortos"

Concelho integrado na zona de produção de:

  • IGP "Transmontano"


Outras


Produção concelhia:

Enchidos
Presunto
Pão
"Vinho dos Mortos”
“Mel do Barroso”


Produtores / Fabricantes:

Adega Vinho dos Mortos
Rua de Santo Aleixo, 29 , 5460-330 BOTICAS
966 430 688 ; info@vinhodosmortos.com ; http://www.vinhodosmortos.com

Cooperativa Agrícola de Boticas
Av. do Eiró, n.º 19 5460-320 Boticas ; 276 418 170 ; geral@capolib.pt


Pratos típicos característicos do concelho:

Pode dizer-se que depois do pão, o porco é o alimento principal das refeições do barrosão. Todos apreciam o salpicão, os rojões, a grande variedade de enchidos, os presuntos cheios de pique e notável sabor, que tão aprazível gosto possuem para o palato humano. O calor que vem das lenhas e pedras das lareiras das cozinhas montanhesas confere-lhes um aroma e sabor inconfundíveis. É com estes enchidos, e com as carnes do porco, de sabor tão genuíno e aprimorado, que se faz o Cozido Barrosão, que enche de calor as mesas montanhesas e convida os visitantes a paladares únicos. À mesa, a carne de Porco conta com a companhia da Carne Barrosã.

Truta recheada de Boticas
Fumeiro
Vitela barrosã


Restaurantes referenciados:

RESTAURANTE “ALBERGARIA RIO BEÇA”
ER 311 5460 – 125 Carreira da Lebre
Tel. 276 41 30 03 ; www.albergariariobeca.com
Naquinhos de Vitela Barrosã; Cabrito Grelhado; Javali Estufado c/ Castanhas; Arroz Pica no Chão; Cozido Barrosão; Truta recheada com Presunto; Bacalhau à Rio Beça; Presunto, Alheira, Linguiça e Salpicão; Vinho dos Mortos

RESTAURANTE “O CAÇADOR”
ER 311 5460-125 Carreira da Lebre
Tel. 276 41 59 59

RESTAURANTE “RODRIGUES”
Rua Coronel Xavier Teixeira 5460 Boticas
Tel. 276 41 56 70

Rede de Tabernas:

“Cozinha da Eugénia”
Travessa das Eiras, Nº 4 5460 – 130 Carvalhelhos ; Tel. 276 41 30 39

“Casa de Vilar”
Lugar da Lavra EN 311 5460-512 Vilar ; Tel. 276 413 056 ; Tlm.: 96 632 37 47

Taberna do “Tio João”
Rua do Lameirão 5460 – 130 Carvalhelhos ; Tel. 276 41 40 48
Site: www.tabernatijoao.com ; E-mail: geral@tabernatijoao.com


Eventos de teor gastronómico:


Agradecimentos:


Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições
 


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Culinária de Lisboa #41 - Bifes à Marrare

Querida Mô,

Encontrei-o já perdido nas traseiras de uma das prateleiras do alto. No meio das lombadas esfiapadas dos clássicos do Camilo, vermelho côr de sangue cozido pela transpiração de gerações de mãos que os seguraram, folheando-os ávidos (o Camilo perdeu hoje, muito do apelo que trazia, não sei porquê a estes portugueses embotados a sibilante ironia do Eça os cativa mais que a aspereza de Camilo, mais terra-a-terra  e mais directa), a envelhecer com outros nomes que já deixei de lembrar. O título e a idade fizeram-me querer relê-lo, perceber quanto na cidade velha se mantinha dos hábitos oitocentistas - a evolução dos comércios, a mudança ou a constância de usos, os âmbitos, os ares.

Parti assim Baixa fora, Chiado acima com este "Novo Guia do Viajante em Lisboa" editado no ano da graça de 1880 em quarta edição "muito aumentada". À falta de um mapa da época, perdi-me várias vezes, tantas quanto a República e os novos heróis acrescentaram à toponímia existente na cidade. Esqueci-me de levar o primeiro levantamento cartográfico da cidade, contemporâneo deste guia... muito me teria ajudado.




Bateu, dolente na tarde calma, o sino da minha barriga e apercebi-me que já ia fenecendo a ortodoxa hora de almoçar. Precisamente quando procurava pelas ruas - ou devo dizer as ruas - onde se situavam restaurantes e botequins de antanho.
Onde ficaria a rua do Chiado com o recomendadíssimo Grande Hotel ("a primeira casa de pasto de Lisboa, tanto pela boa sociedade que a frequenta, como pela perfeição de seus diversos e exquisitos manjares. É seu proprietário o bem conhecido Matta. Fornece jantares diplomáticos, ceias para bailes, etc.")? No Chiado certamente, mas crismada como, no presente?

 

Na Baixa, as ruas mantiveram quase todas a toponímia original (valha-nos o culto a S. Pombal!).  A rua da Prata deveria orlar-se de cheiros à hora das refeições, tal a profusão de locais - o Estrella de Oiro no número 289, o Manuel Lourenço no número 100, o João do Gallo no número 54, o Chuça no número 53 e ainda um pasteleiro afamado, o Garcia no número 267. Com excepção de algumas pastelarias, nada resta da função restaurativa na rua, ocupados os espaços com comércio menos gorduroso e translada aquela para as ruas paralelas, menos glamorosas (e onde já vai o brilho comercial da Baixa...).

Não encontrei referência ao restaurante de Pessoa na rua dos Correeiros ainda que se me alegrasse o coração por saber que o Irmãos Unidos para quem Almada pintou o retrato de Pessoa já existisse ("entrada pela Praça de D. Pedro, 113"). Do mesmo modo, da geografia pessoana já existiam, 30 anos antes, o Martinho do Largo de Camões ("ponto de reunião dos litteratos e politicos") e o Martinho da Neve ("debaixo da arcada da Praça do Commercio, no fim da rua da Prata").

Não descobri o Café Central ("fornece almoços de garfo, ceias, etc. É frequentado pelos rapazes da melhor sociedade, os quaes alli se reúnem á noite até alta hora. Tem gabinetes reservados") e também teria gostado de encontrar, em alegre e gravemente tradicional operação, casas com nomes tão programáticos como o Gaito (onde ficaria a rua dos Algibebes?), o Antigo Cambalhota ("Rua Oriental do Passeio, 145, entrada pela escada"), o Antigo Magina ("Pateo do Duque (atraz do theatro de D. Maria), tem também entrada pela rua de Santo Antão, 9"), o Toboas ("Travessa de S. Domingos, 47"), o Antigo Penim ("Travessa do Regedor, 18; entrada pela escada"). Ou parar no Romão ("Rua do Arco do Bandeira, 10") para degustar os "bons pasteis e boas ostras" pelos quais era afamado.

Ou, no Cais do Sodré, apesar dos pubs actuais, encontrar ainda o Café Price (taberna ingleza) e comer um dos seus "almoços ou jantares à ingleza; é notável pelos seus bifes, e muito frequentada por estrangeiros e maritimos."

Mas, falando de bifes, já me contentaria em encontrar vivo, de boa saúde e em pleníssima forma o Marrare (o das Sete Portas na "Travessa de Santa Justa") e, oh, comer um dos seus bifes. Isso sim, far-me-ia acreditar que a minha cidade era eterna.



BIFES À MARRARE

Por pessoa: 1 bife do pojadouro ou alcatra; manteiga, sla e pimenta; 1 dente de alho; sumo de limão; leite morno gordo

Numa frigideira pequena derreta-se a manteiga; junte-se o alho cortado às fatias e o bife que se deixa corar, retirando-o mal passado. Junte-se sal e pimenta, o resto da manteiga e algumas colheres de leite, mexendo-se a frigideira pelo cabo, de trás para a frente, sem parar. Estando o molho engrossado, juntem-se 5 a 6 gotas de sumo de limão. Acrescente-se os bifes para aquecer, deitando-se no prato de servir que deve estar muito quente.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A study in red

Demorámos alguns anos até nos entendermos, eu e a lampreia. Não que nunca tivesse ouvido falar dela. Tinha - e muito. E bem. Mas é daquelas coisas, era preciso o momento certo, o acumular de anos e de experiências que levam à predisposição para se ser seduzido, deixar ser-se encantado.

Desenganem-se os ímpios que do seu fálico aspecto escarnecem e fogem: nada é como parece e perder um encontro destes por voluntária omissão é vibrar um pouco menos, exultar um pouco menos, viver um pouco menos.

Ao contrário da pescada - que antes de o ser já o era... -, a lampreia só é verdadeiramente grande quando pronta para degustar.  De patinho tenebroso com uma aparência que preenche todos os requisitos para protagonista de qualquer escrito de Wyndham, plano sequência de Corman ou tela de Bacon a centro dum universo de sabor, abelha-rainha de uma colmeia de gostos: este o seu destino, esta a sua glória.



Antes, há que a aprontar, despindo-a, libertando a sua carne, eliminando vísceras e cuidadosamente recolhendo e preservando com vinagre o vital sangue que a embebe.

Convidado pelo mestre João dessa escondida jóia da cozinha lisboeta - popular, honesta e económica - que é a Nova Arcádia, eis o registo desse primeiro acto (parte II que cheguei já as bichinhas tinham exalado o último... gargarejo?).

Well, it's a bloody business but somebody has to do it...







quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

The unending troubles of Alessandra the Great

Gattopardo. Aniversário. Telefonar. Assim, pretas no branco das tarefas a cumprir do telemóvel, as palavras eram mais autoritárias, adquiriam um tom inescapável. Alex preparava-se para as cumprir quando o aparelho se lhe besourou nas mãos, iluminando-se. De saída para os Bijagós. Sem electricidade. Incontactável nos próximos dias. Tem juízo. Sorriu de pânico, mas o que é que este gajo foi fazer para a Guiné? Hoje! Quem me vai tratar da iluminação da festa, hoje, logo? Quem me mandou ir na conversa do outro?



O outro telefonava-lhe precisamente nesse instante, atendeu. Então, quantas são as bocas para alimentar, atirou-lhe sem tempo para a deixar formular objecções. Vá, que tenho de ir às compras antes de ir à obra.






Perry entrou, ainda tímida do convite sem antecedência, a cozinha sem a actividade febril de que se lembrava mas com o cozinheiro do costume em acesa discussão com uma outra convidada. Tu não és nada leão! dizia-lhe, não sou leão? Quem é a estrela nesta cozinha? Olá minha linda, ainda bem que chegou! Venha cá e descasque-me estes chuchus, sim...?



Alex deixava-se requisitar para os beijos de parabéns, os livros de parabéns, as fotografias de parabéns que o fotógrafo contratado insistia em registar, ligeiramente inquieta por não estar a preparar o jantar, ligeiramente apreensiva com o resultado final, ligeiramente desregulada por naõ se sentir totalmente no controlo dos acontecimentos. O que é o jantar hoje? Homenagem à terra da aniversariante, ao pé do rio de Fevereiro, Brasil.






As divas, na sala, aproveitando a tranquila anarquia, oficiavam, enchendo-se deliciadas, de queijo e compotas. Majestosas e condescendentes, como só as divas. O piano calado, a voz em repouso. Alex, finalmente atraída gravitacionalmente pelo peso da actividade culinária, de mãos no aparelho para o arroz esquecido. Arroz, arroz, o teu reino pelo arroz! Tudo isto gira à volta do arroz! Que falta! Já acabaste o fizz? Bebe mais um bocadinho. O arroz descansado, a fazer-se sozinho, que fumo é este? O entrecosto! Alex, teu departamento... Moi? Eu sou só o cozinheiro, percebo lá eu desse teu forno caprichoso. Ai Hades... Hades? Não será antes Hefesto? Hum? Vulcano...? O fogão? Vulcanos não são os esquentadores?




Diálogos irreais, intimidades excessivas com o gin sifonado e a malagueta na moqueca.



Para o lago então, com um peso amarrado aos pés! Lago? Já chegámos à Helvetia e eu não dei por nada? Então hoje não era o Brasil o nosso porto de chegada? Chegada, partida, são mesmo só dois lados da mesma viagem, não é irmão Milton, o trem da feijoada é também o trem da despedida...



Brasil? O que é que a Ribeiro tem?




Pois tem destas amizades como ninguém...