domingo, 8 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Na Praça das Flores

Sabe bem. Chega-se fashionably late à feira do Príncipe Real para poder dar dois dedos de conversa calma com a Maria José e com quem estiver por lá mais em fase de flananço do que de busca intensiva das melhores peças.

Depois - porque hoje é Sábado! - pelas ruas do bairro que se erguem de arquitecturas mais ou menos conseguidas a olhar o céu novamente azul é descer até à Praça das Flores e descortinar uma mesa na esplanada do Pão de Canela. A escolha é a única nuvem séria do dia. Estando o brunch fora de questão e os pratos do dia a não apetecer, a óbvia preferência vai para a petisqueira. O que escolher? Olhe, um de cada...







Está-se bem, os pratos não apresentam reclamos significativos que contrariem a gulodice, o serviço é aceitável, os preços compatíveis com tudo isto. Para quê exigir mais na Primavera?

Portugal Gastronómico #99 - Ferreira do Zêzere

(Fonte: Wikipedia)

(Fonte: viajar.clix.pt)

Produtos DOP e IGP:

Integrado na área de produção de:
  • Azeites do Ribatejo DOP
  • Carne Mertolenga DOP
  • Mel do Ribatejo Norte DOP
  • Pêra Rocha do Oeste DOP

Bebidas:

Vinhos

Integrado na área de produção de:

  • DOP Ribatejo, Sub-região Tomar

Castas:

VINHOS TINTOS E ROSADOS
Aragonez (Tinta Roriz), Baga, Camarate, Castelão (João Santarém ou Periquita), Preto Martinho, Tinta Miúda, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira (Tinta Amarela) as quais devem respresentar no mínimo, 50% do encepamento; Alfrocheiro, Alicante Bouchet, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Caladoc, Esgana Cão Tinto, Grand Noir, Jaen, Merlot, Moreto, Petit Verdot, Pinot Noir, Tinta Barroca, Tinta Caiada e Tinto Cão.
VINHOS BRANCOS
Arinto (Pedernã), Fernão Pires (Maria Gomes), Rabo de Ovelha, Tália, Trincadeira das Pratas, Verdelho e Vital, as quais devem sempre representar, no mínimo, 50% do encepamento; Alicante Branco, Alvarinho, Cerceal Branco, Chardonnay, Malvasia Rei, Moscatel Graúdo, Pinot Blanc, Sauvignon, Síria (Roupeiro), Tamarez e Viosinho.


Outras


Produção concelhia:

Mel
Azeite
Vinhos


Produtores / Fabricantes:

Mel
Apiários “Flores do Zêzere”
De Jorge Dias Henriques – Apicultor
Pombeira 2240-372 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 362 021 ; Tlm.: 919 312 409

Azeite e Vinhos
EXPLAZEITE – Transformação de Azeites, Lda
Freixial 2240-118 Areias FZZ
Tel.: 249 391 018 ;

Doces e Compotas
COMPANHIA DAS FRUTAS - Fabricação de Doces, Compotas, Geleias e Marmelos, Lda
Armazém B, Gravulha 2240-037 Águas Belas FZZ
Tel. Fax: 249 362 570 ; www.companhiadasfrutas.com


Pratos típicos característicos do concelho:

A Gastronomia Ferreirense é uma refeição completa: peixe, carne, queijo, doce e fruta.

A construção da Barragem do Castelo de Bode pôs Ferreira do Zêzere no coração de um dos maiores lagos artificiais da Europa e da boga à carpa, barbo ao achigã a dificuldade está na escolha, mas sempre no deslumbrante panorama da albufeira. Na carne recomenda-se o famoso leitão à Ferreirense que, tal como as batatas que o acompanham, vai a assar num lento forno a lenha. Talvez seja este o segredo destes sabores, o tempo para os conseguir. Ao forno vai igualmente o cabrito, acompanhado do travo que os grelos emprestam para melhor saborear a carne. Também na arte de fazer o queijo o tempo é indispensável para este saber transmitido através de gerações, os gestos certos são quase um ritual: a coagem, a flor de cardo, a salga. Quanto à doçaria regional o lugar de honra vai para a tigelada. É verdade que o prestígio deste doce tem sido prejudicado pela tentativa de imitação industrial, mas temos aqui a oportunidade para um delicioso retorno às origens. A tigelada é um doce manjar de ovos, leite e açúcar, levado a dourar em tigelas de barro num forno a lenha. Falando de invenções mais recentes, quem é que pode duvidar da doçura de um bolo a que chamaram "Bons Maridos",  recomendado especialmente aos apreciadores de amêndoa. Quanto à fruta ouçamos o que no princípio do séc. XVIII dizia o padre Carvalho da Costa na sua Corografia Portuguesa «Copiosa variedade de maçãs, camoezas, verdeaes, são singulares na formosura, & sabor as olhicòvas; as pêras de todas as castas, ginjas e cerejas se dão por aqui em muita abundância». (C.M.Ferreira do Zêzere)

Doçaria:

Tijelada
Bons Maridos
Boas Esposas


Restaurantes referenciados:

Casa dos Leitões
Bela Vista, 2240-031 Águas Belas FZZ
Tel.: 249 366 002/135 ; E-mail: casaleitões@mailtelepac.pt
Encerramento: Segunda-Feira todo o dia
Pratos Tradicionais: Leitão à Ferreirense, Bucho, Maranhos

A Gruta
Praça Pedro Ferreira, 2240-342 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 361 042
Encerramento: Domingo todo o dia
Pratos Tradicionais: Queixadas no forno, Arroz de Pato, Sopa da Pedra

Manjar de S. Miguel
Rua Alfredo Keil, 2240-346 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 362 225
Encerramento: Sábado todo o dia
Pratos Tradicionais: Bacalhau à Ferreirense, Cabrito à S. Miguel, Cozido à Portuguesa

A Grelha
Rua Maria Vasques Nº37, 2240-358 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 362 300
Encerramento: Quarta-feira ao jantar e Quinta-feira todo o dia
Pratos Tradicionais: Bacalhau à casa, Bifinhos no Chapéu, Espetadas no Almofariz, Naco na Telha, Polvo Lagareiro

Quinta do Adro
Rua Eng. Lino Amaro da Costa nº3, 2240-336 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 366 296
Encerramento: Terça-Feira de tarde e Quarta-Feira todo o dia
Pratos Tradicionais: Maranho / Bucho, Bacalhau à Casa, Costeletas de Novilho c/Migas

Lago Azul
Praça Dias Ferreira Nº 45 – 1º, 2240-341 Ferreira do Zêzere
Tel.: 914 158 364 / 249 105 868
Pratos Tradicionais: Bucho, Cabrito, Bifes de Vitela, Peixe Fresco Grelhado

Fonte de Cima
Fonte de Cima, 2240-Dornes
Tel.: 249 366 302 ; Telm.: 933 161 019
Capacidade: 70 Lugares
Pratos Tradicionais: Peixe do Rio

Centro Náutico
Castanheira – Lago Azul, 2240-332 Ferreira do Zêzere
Tel.: 249 361 143
Encerramento: Segunda-Feira todo o dia

Pastelaria Pérola do Zêzere
Praça Dias Ferreira nº 11 a 14, 2240-341 Ferreira do Zêzere
Telf: 249 361 252


Eventos de teor gastronómico:

Festival gastronómico do “Lagostim de Rio”



Festival gastronómico da “Fava”



Festival gastronómico das Migas - "Migas com todos" - Novembro



Festival gastronómico da Abóbora


Agradecimentos:
Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere


Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições
Guia 564 Restaurantes, 2011, Ed. Global Notícias Publicações SA


EM CONSTRUÇÃO - O post irá sendo actualizado à medida que novas informações sejam obtidas.
Achegas e comentários, bem vindos como sempre

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Portugal Gastronómico #98 - Tavira

(Fonte: Wikipedia)
(Fonte: viajar.clix.pt)
Produtos DOP e IGP:

Integrado na área de produção de:
  • Carne de porco Alentejano DOP
  • Citrinos do Algarve IGP
  • Linguiça do Baixo Alentejo IGP
  • Presunto e Paleta do Alentejo DOP

"Sal e Flor de Sal de Tavira DO"
Designa -se por «Sal e Flor de Sal de Tavira», o sal marinho obtido por colheita manual, a partir do processo natural de precipitação da água do Oceano Atlântico, na região geográfica delimitada, que circula num sistema de viveiros, até à cristalização final nos talhos e que possui as características físicas e químicas a seguir indicadas. Trata -se de sal marinho não refinado, não lavado após colheita e sem aditivos.

Sal de Tavira:
O Sal de Tavira, sal marinho, é constituído por cristais que se formam no fundo (em argila natural) dos talhos. O sal é extraído manualmente com o auxílio de instrumentos específicos (rodos). Os seus cristais, de forma flocular e cúbica, desfazem -se, até um determinado ponto, apenas com a mão, distinguindo -se de forma evidente do cloreto de sódio comum.
Flor de Sal de Tavira:
A Flor de Sal de Tavira apresenta diferentes níveis de sais minerais e é bem mais frágil à fricção que o Sal de Tavira. É constituída por lamelas finíssimas que ao mínimo contacto com a mão se desfaz em cristais muito pequenos e leves. Possui elementos químicos em proporções próprias apresentando diferenças visíveis à vista desarmada. É um sal facilmente solúvel na boca, permitindo a sua utilização direta «na mesa». A Flor de Sal é colhida manualmente por extração da suspensão de coalho que se forma nos talhos, com a ajuda de um instrumento específico, coador, antes de se precipitar no fundo dos talhos.

Delimitação da área geográfica de produção do produto e de acondicionamento:
As salinas onde se procede à produção de Sal e Flor de Sal de Tavira estão situadas no Parque Nacional da Ria Formosa. Do ponto de vista administrativo a área geográfica delimitada da produção encontra -se
circunscrita às freguesias de Santa Luzia, Santiago e Santa Maria, todas do concelho de Tavira. (do Despacho regulamentador)

Bebidas:

Vinhos

Integrado na área de produção de:
  • DOP "Tavira"
Castas:
VINHOS TINTOS - Castelão (Periquita1), Negra Mole e Trincadeira (Tinta Amarela), no conjunto ou separadamente com um mínimo de 70% do encepamento; Alicante Bouschet, Aragonez (Tinta Roriz), Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.
VINHOS BRANCOS - Arinto (Pedernã) e Síria (Roupeiro), no conjunto ou separadamente com um mínimo de 70% do encepamento; Diagalves, Manteúdo, Moscatel Graúdo e Tamarez.
  • IGP "Algarve"

Outras


Produção concelhia:

Vinho
Sal e Flor de Sal


Produtores / Fabricantes:

Pão
Padaria Eugénio - Café Coral 
Av. Ria Formosa nº 17 8800-591 Cabanas de Tavira
Telefone: 281 37 03 81
Encerra às quartas-feiras (João Pedro Diniz)

Gelados
Gela­da­ria Deli­zia
Mercado Da Ribeira, Lojas 5 / 6, Tavira
Vencedora do Con­curso Inter­na­ci­o­nal do Gelado do Medi­ter­râ­neo Pro­co­pio de Col­trelli, inte­grado no Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal do Gelado Arte­sa­nal, Fes­ti­val Sher­beth (em Cefalù), sec­ção Pro­co­pio de Col­telli

Vinho
AVA - ASSOCIAÇÃO DOS VITICULTORES DO ALGARVE
Rua Eng.º João Bruno da Rocha Prado, n.º 3 8800-443 TAVIRA
Tels.: 281 322 834/963 366 264 ; E-mail: avalgarve@sapo.pt

Quinta dos Correias
Sítio da Arroteia de Baixo 8800-102 Luz de Tavira
Telem.: 918 621 595 | E-mail: info@quintadoscorreias.com.pt.
Está localizada no sítio da Arroteia de Baixo, freguesia da Luz de Tavira (concelho de Tavira), com vista directa sobre a Ria Formosa e a Fuzeta (...) Aqui faz-se o vinho tinto com alguma tecnologia actual, mas fundamentalmente seguindo métodos e técnicas ancestrais. Actualmente, esta é a única adega da região demarcada de Tavira, pelo que os seus vinhos são muito procurados, quer pela sua qualidade, quer pela sua exclusividade. (fonte)

Sal e Flor de Sal
Rui Simeão
Rua 4 de Outubro, 15 8800-362 TAVIRA
Tel: +351 281 321474 ; Telem: +351 965 807303 ; rui.simeao@gmail.com ; rui.simeao@sapo.pt ; www.ruisimeao.blogspot.com ; www.youtube.com/juntoaomar


Pratos típicos característicos do concelho:


O concelho de Tavira é rico em saberes e sabores gastronómicos, os quais divergem do interior para o litoral. Na serra, encontramos receitas confeccionadas tradicionalmente à base de cereais, carne de animais provenientes da caça e domésticos. Mais perto do mar encontramos um saber fazer gastronómico à base de frutos do mar, tais como: peixes, moluscos, crustáceos, entre outros.

Verifica-se ainda, uma doçaria diversificada e rica em sabor à base dos produtos locais como: a amêndoa e a alfarroba, que têm passado entre gerações. Dada a tradição e a riqueza patrimonial histórica da igreja encontramos também a doçaria conventual, própria de uma cidade como Tavira. (site da C.M.Tavira)

  • Raia alhada
  • Pataniscas de polvo
  • Açorda de conquilhas
  • Açorda de galinha (ou de perdiz)
  • Arroz de lingueirão
Doçaria:


Restaurantes referenciados:

Noélia e Jerónimo
Av. Da Fortaleza, 8800-591 Cabanas de Tavira
Telefone: 281 37 06 49 ; Telemóvel: 96 85 34 971
Encerra às quartas-feiras
Pratos regionais com produtos de qualidade. Destaque para o polvo e a raia alhada. Nos últimos tempos tem tido uma evolução culinária clara e algum destaque. É necessário reservar. (João Pedro Diniz)

Restaurante "IDEAL"
Rua Infante Dom Henrique nº 15 RC, 8800-591 Cabanas de Tavira
Telefone: 281 37 02 32
Encerra às quartas-feiras
Cozinha tradicional e alguns pratos regionais, sempre bem confecionados. (João Pedro Diniz)
Especialidade: Sopa do Mar, Pasteis de Polvo, Filetes Pescada frescos

Snack-Bar "AS DUNAS"
Rua Capitão Batista Marçal, 8800-591 Cabanas de Tavira
Telefone: 281 37 06 86
Encerra às terças-feiras
Um café/restaurante sem pretensões mas onde se podem encontrar boas surpresas no que respeita à cozinha da região. (João Pedro Diniz)
Especialidade: Maionese de Raia, Arroz de Lingueirão, Ameijoas, Conquilhas, Caracóis


Eventos de teor gastronómico:




Agradecimentos:
João Pedro Diniz (Ardeu a padaria)


Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições
Guia 564 Restaurantes, 2011, Ed. Global Notícias Publicações SA
Site da Câmara Municipal de Tavira (link)

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

A nossa tasconómica de Alcântara

Há mistérios em Lisboa que, para mim, só se explicam pela falta de cultura cosmopolita de promotores e pela reduzida dinâmica inovadora que afecta em conjunto proprietários, autarquia e potenciais clientes. Porque é que o potencial da arquitectura industrial abandonada de Alcântara está tão pouco aproveitado? Porque é que foi preciso um processo encalhado nos meandros da burocracia camarária e a necessidade de rentabilização temporária do espaço para desencadear o caso de sucesso que é o Lx Factory?

Passear pelas backstreets de Alcântara é descobrir crisálidas raras, expectantes por um pedaço de imaginação, outro tanto de teimosia e um coração de empreendedorismo para atingirem a sua plenitude de mariposas, abertas à cidade e à fruição dos seus habitantes.

É assim na rua das Fontainhas, longa artéria de reduzida circulação. As traseiras do Alcantara Residence, espaços expectantes pelo regresso do boom imobiliário. Quando, há uns meses, propus o conceito Tasconómico não sabia (Gastrossexual serei, omnisciente ainda não) que o conceito já gestacionava por terras alfacinhas, mais precisamente nesta rua.



O restaurante chama-se Aquele Lugar em Alcântara e nasceu das cinzas de uma tasca que por aqui muitos anos oficiou. Três mosqueteiros (que, como no romance, são 3+1), oriundos profissionalmente de áreas muito diversas e nada coincidentes com o ramo, o Bruno, o João, o Rafael e a Mariana à procura de um autor. Sendo cada um dos clientes o autor ... da justificação para a sua actividade. E que aqui encontra um local à sua medida. Menu adaptável, espaço que envolve e interage (de onde veio isto tudo, o que é que cada uma destas peças me diz?). Uma atitude descontraída que casa com uma grande vontade de fazer agradável. Em síntese, a aplicação literal da junção de um orçamento de tasca com uma certa visão gastronómica ou seja, uma vontade de tratar bem os ingredientes com uma ideia subjacente. Não se esperem, no entanto, ingredientes gourmet nem escolhas de topo: como disse, orçamento de tasca (e preços de tasca: 10 euros por um menu de sopa + 5 pratos). Em contrapartida, inventiva, sedução, experimentação, são garantidos.

Do menu servido (muda frequentemente, de acordo com a vontade e as disponibilidades do mercado), constaram:

A sopa de batata doce, gengibre, leite de coco e lima, especiosa, espevitada pela lima e pelo gengibre, um poderoso cartão de visita, muito perto da versão definitiva (diria que lhe faltará - talvez - a passagem pelo chinês para retirada dos filamentos do gengibre);



Os no name vegetais, uma variação do rösti francês ou em variante nacional, umas pataniscas vegetarianas, simpáticas;


Uma ortodoxa combinação de morcela e laranja tornada incomum pela adição de umas pingas de tabasco, a valorizar o conjunto, infelizmente diminuído pela fraca prestação da laranja;


Beringelas com mozarella e pesto, uma combinação infelizmente falhada apesar da bondade do polme e da fritura das beringelas, com a temperatura e a textura destas a fazer desaparecer o tímido queijo e o pesto que, a solo, o sublinha muito bem, sem saber que diálogo travar com as beringelas;


Gyozas que se mostraram aceitáveis;


Amêijoas à Bilhao, muito próximas da preparação quase homónima mas com um toque de frescura que me pareceu dado pela erva-príncipe, o que não confirmei.



Oferecidos foram ainda uns ovos mexidos com farinheira que declinei por ter ultrapassado os limites diários de fritos mas que à vista pareceram muito bem.


Para fechar e como sobremesa, um crumble de banana e maçã com sorvete de tangerina que cumpriu com galhardia o seu papel de apaziguador dos excessos anteriores.



O que se deve apontar de menos bom a este neófito espaço? Alguma falta de diversidade no tipo de preparação, com exagerada predominância dos fritos e das gorduras. O carácter "experimentalista" de algumas das propostas o qual, se aceitável em pequena dose, pode ser factor de desmobilização clientelar.



Tomando isto em conta parece-me, no entanto, que a equipa se faz, tendo estes júniores todas as condições para singrar no mundo sénior desde que saibam aprender depressa - a juventude é uma etapa, não um fim em si mesmo. Definitivamente a usar, desde que percebido o espírito descontraído e admitida alguma latitude na prática.



A incentivar e a criticar construtivamente. É serviço público.

Aquele Lugar em Alcântara
Rua das Fontainhas, 38, Lisboa


Ver mapa maior

terça-feira, 3 de abril de 2012

Portugal Gastronómico #97 - Paços de Ferreira

(Fonte: Wikipedia)

(Fonte: viajar.clix.pt)

Produtos DOP e IGP:

Integrado na área de produção de:
  • Carne Barrosã DOP

Bebidas:

Vinhos

Integrado na área de produção de:
  • IGP "Minho"
  • DOP "Vinho Verde", Sub-região Sousa
  • Castas: Tintas - Amaral, Borraçal, Espadeiro e Vinhão ; Brancas - Arinto (Pedernã), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura

Outras



Produção concelhia:



Produtores / Fabricantes:

Frutas e Produtos hortícolas
José Paulo Teixeira Goulart de Bettencourt (associado PROVE)
Quinta do Bom Jesus, Frazão - Paços de Ferreira
Tel. 917 530 007 ; E-mail: paulo.bettencourt@cm-pacosdeferreira.pt


Pratos típicos característicos do concelho:

"A Gastronomia Tradicional de Paços de Ferreira é rica e variada, contemplando diversas especialidades gastronómicas, como o Cabrito ou Anho assado com arroz de forno, Cozido à Portuguesa ou os Rojões, mas aquela que é destacada como ex-líbris é o “Capão à Freamunde”, acompanhado com Batata Assada e Grelos.
O Capão mereceu atenção de vários autores como Gil Vicente, D. Francisco Manuel de Melo, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, referindo-o nas suas obras como “Manjar dos Reis”. Confeccionado “À Freamunde”, colecciona apreciadores famosos, que todos os anos não perdem a Semana Gastronómica, que se realiza todos os anos de 1 a 13 de Dezembro, sendo 13 dia da famosa Feira dos Capões. Diz o provérbio popular “Do frango capão a perna, e da galinha o peito”, o escritor Camilo Castelo Branco, autor de Amor de Perdição (1862), aconselhava-o ligeiramente flambado com aguardente velha e conduzido à mesa com a pele estaladiça. A acompanhar esta tão “mui nobre e sublime iguaria”, aconselha-se a nossa doçaria tradicional, as Rochas da Citânia ou as Brisas do Pilar." (in "Fins de Semana Gastronómicos" 2011)

Doces do Calvário


Restaurantes referenciados:

A Nossa Pensão
Av. 1.º de Dezembro , 437 T.: 255 962 548 

A Parrilhada
Rua da Plaina , Freamunde T.: 255 879 317

A Presa
Rua Além do Rio , 15, Freamunde T.: 255 870 872

Citânia
Av. D. Sílvia Cardoso , 164 r/c T.: 255 963 050

Casa de Campo
Rua de S. Tiago , nº148, Figueiró T.: 255 879 641

O Tarasco
Av. da Liberdade - Rocha , 62, Figueiró T.: 255 881 794

O Gusto
Rua Martinho Caetano , Freamunde T.: 255 870 166

Tasquinha d´Aldeia Melo
Travessa Central de Bairros , 8, Lamoso T.: 255 866 453


Eventos de teor gastronómico:

Semana Gastronómica
Anual, 1 a 13 de Dezembro, incluindo a Feira dos Capões


Agradecimentos:


Bibliografia:
Produtos Tradicionais Portugueses, Ed. M.A.D.R.P, 2001
Guia de Compras-produtos Tradicionais 2011, Ed. QUALIFICA/Publiagro
Vinhos e Aguardentes de Portugal, Anuário 2009, Ed. Instituto da Vinha e do Vinho I.P.
Boa Cama, Boa Mesa, 2011, Ed. Expresso
Guia Restaurantes e Vinhos de Portugal, 2008, Ed. Media Capital Edições
Guia 564 Restaurantes, 2011, Ed. Global Notícias Publicações SA

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domingo, 1 de abril de 2012

Campo gourmet pequeno

Desde pequeno que não gosto de procissões. De, em passo lento e mitigado por quem vai à frente, seguir como partícula no ondular da multidão arregimentada. Sem razão e sem opção.

Tento ignorar os cantos de sereia da maior parte das feiras e festejos gastronómicos deste país porque é raro não dar por mim enterrado numa dessas procissões, entre gente incivilizada que empurra, pisa, pára sem razão aparente. Mesmo quando o final é compensador, o produto bom, fico sempre com a sensação de engano. De decepção, pelas provações desnecessárias a que fui obrigado pelo desleixado planeamento dos organizadores.


Ontem, no Mercado Gourmet, no Campo Pequeno, enfrentei mais um desses tormentos de passadeira, agravado pela disposição circular das bancas, adaptada à geometria do recinto. Gente e mais gente às voltinhas, crianças fartas ou pedinchonas e senhoras mancas pelos calos, carrinhos de bébé e famílias em magote, inevitavelmente em rota de concentração junto às bancas em oferta de provas e com destino final nos chocolates de Óbidos (pão-de-ló de chocolate? cruzes credo!).

Provações à parte, o que fica deste "Mercado"? Uma coisa boa - o número de produtores, a indiciar uma crescente aposta no mercado gastronómico. Revivalismo, aproveitamento amador do sucesso de alguns, do tipo que prolifera nas "casinhas de comida" e no "pronto-a-vestir", retorno à terra ? Só o tempo o dirá.



Ficam igualmente algumas reticências... A primeira e para mim mais importante é o colocar no mesmo "saco gourmet" produtos tradicionais - que deveriam ser, para maior possibilidade de sobrevivência, acarinhados para o grande público (obviamente de tiragem não massificada mas longe do ghetto de conhecedores) - e produtos de nicho (como os chocolates, licores específicos ou derivados do mel).





Infelizmente não temos uma rede de mercearias para absorver os produtos tradicionais de baixa tiragem que não cabem nas exigências das grandes superfícies nem deveriam atingir os valores esperados para produtos de alta gama. O que fazer a um enchido que é melhor - oh tão melhor! - que as industrialidades de baixo preço mas que não está abrangido por DOPs e IGPs?


Segunda reticência para o total amadorismo mediático da esmagadora maioria dos participantes: quase inexistente material explicativo (que pudesse prolongar os eventuais esclarecimentos locais), stands nada chamativos. Responsabilidade dividida com a organização que optou por não ser muito exigente no que a este item dizia respeito?




Terceira e última reticência / interrogação: faz sentido juntar produtores e revendedores num mesmo evento, correndo-se o risco de canibalizar uns o negócio de outros?

A reflectir por organizadores e participantes. Entretanto, espero que cresça a pressão dos presentes para a fácil disponibilização de genuínos produtos nacionais... numa loja de comércio tradicional perto de cada um.